EDP Renováveis com lucros semestrais a subirem 87% para 265 milhões

A empresa do grupo EDP que tem sede em Madrid e está cotada na bolsa de Lisboa diz que os resultados “robustos” do primeiro semestre foram “maioritariamente” influenciados pelo aumento dos preços de venda e produção de energia.

A EDP Renováveis registou um lucro de 265 milhões de euros no primeiro semestre, o que traduz uma subida de 87% face ao período homólogo do ano anterior. Deve isso a uma subida de 45% das receitas para 1.237 milhões de euros. O preço médio de venda aumentou 27% num ano, maioritariamente devido aos preços de mercado na Europa e a atualização do quadro regulatório em Espanha.

Outros proveitos operacionais somaram a 134 milhões, menos 6 milhões do que um ano antes, devido principalmente às transações de rotação de ativos concluídas na Polónia e Espanha que geraram 99 milhões de mais-valias.

A EDP Renováveis, em comunicado, diz que a performance dos resultados foi “maioritariamente impactada pelo aumento do preço médio de venda e de produção, resultando num EBITDA e resultado líquido robustos”.

O EBITDA melhorou 49% para 976 milhões, o que significa que pesa 79% das receitas. O EBIT fixou-se nos 640 milhões (+76% face ao semestre homólogo de 2021), “como resultado do forte desempenho ao nível de receitas”.

A subida do EBITDA foi mitigada pelo aumento dos custos financeiros líquidos e interesses não controláveis para 120 milhões de euros (+€87% que em junho de 2021 e em linha com o crescimento do Resultado Líquido).

Ou seja, pela negativa, destaca-se que os Custos Financeiros Líquidos aumentaram +67% para 185 milhões de euros (cresceram 74 milhões de euros), “com a comparação anual a ser afetada maioritariamente pelo aumento da dívida, forex e TEI”.

“No contexto do crescimento contínuo da EDPR, os custos operacionais (Opex) totalizaram 463 milhões de euros [+132 milhões do que um ano antes] devido aos custos antecipados para lidar com o crescimento acelerado”, explica a empresa.

“Em termos comparáveis, o Core Opex por MW médio ajustado por custos de offshore, one-offs, service fees e forex aumentou +15%  face ao primeiro semestre de 2021”, acrescenta a empresa de energias renováveis da EDP.

Em termos de dívida líquida, verifica-se que aumentou em parte devido à aquisição da Sunseap e ao aumento dos investimentos de caixa no período.

Em junho, a dívida líquida totalizava 5.234 milhões de euros, o que traduz uma subida de 2.300 milhões face ao fim de 2021, “refletindo por um lado o forte crescimento dos investimentos no período, incluindo a aquisição da Sunseap, e forex e, por outro lado, a caixa gerada por ativos e a estratégia de rotação de ativos”, lê-se no comunicado.

Os passivos com Investidores Institucionais somaram 1.532 milhões, mantendo-se estáveis face a dezembro, “refletindo benefícios capturados pelos projetos”.

No que toca aos dados operacionais, a EDP Renováveis fala em “sólida performance operacional” no 1.º semestre, impactada pela maior produção de energia quando comparada com o semestre homólogo do ano anterior. Este aumento de produção foi devido à capacidade instalada adicional e melhor recurso renovável.

“Em junho, a EDPR alcançou o seu nível máximo histórico de capacidade em construção, suportada pela nova capacidade a ser adicionada em 2022 e 2023”, reforça a empresa que detalha que “a capacidade instalada aumentou para 13,8 GW (+1,2 GW face a junho de 2021), com Europa e América do Norte a representarem 40% e 51% do portfólio, respetivamente, e apresentando uma maior diversidade tecnológica com 12,2 GW de eólico onshore, 1,3 GW de solar e 1,5 GW de capacidade bruta de eólico offshore em operação”.

A EDPR “adicionou 2,5 GW de capacidade renovável nos últimos 12 meses. Depois da conclusão de transações de rotação de ativos nos EUA e em Portugal na segunda metade de 2021 e na Polónia e Espanha” no semestre, a variação líquida do portfólio face a junho de 2021 foi de +1,2 GW.

No 1.º semestre, “as adições de capacidade somaram 0,6 GW, sendo principalmente impulsionadas pela integração dos ativos da Sunseap na APAC, que agora representa 3% do portfólio da EDPR, enquanto que em rotação de ativos observam-se 0,3 GW de capacidade na Europa.

“Em junho de 2022 a capacidade em construção alcançou o seu nível máximo com 3,2 GW, dos quais 1,8 GW de eólico e 1,3 GW de solar”, recorda a EDPR.

A empresa produziu 17,8 TWh de energia verde no 1.º semestre (+16% do que um ano antes), “evitando 11 milhões de toneladas de emissões de CO2, com a Europa e a América do Norte a representarem 36% e 57% da produção total, respetivamente”.

Na Europa, a produção aumentou +10%, “impactada pela maior capacidade instalada e recurso renovável estável”. Já na América do Norte “a produção foi superior em +12% refletindo o melhor recurso renovável registado nos EUA e Canadá”.

Na América do Sul, a produção aumentou em +111% num ano “dada a maior capacidade instalada no Brasil, parcialmente neutralizada pelo recurso renovável mais baixo”.

A EDPR alcançou ainda “um fator de utilização de 33% (+2 pp do que no primeiro semestre de 2021) refletindo um Índice renovável superior em +2% à média de longo-prazo do Fator Bruto de Utilização esperado (+7 pp).

A EDP Renováveis está a cair na Bolsa de Lisboa 0,78% para 24,08 euros.

A EDP Renováveis é uma empresa subsidiária e detida a 74,98% pelo Grupo EDP (Energias de Portugal) e opera no mercado das energias renováveis.

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