Eduardo Cabrita: “A senhora diretora do SEF podia ter cessado funções na altura? Obviamente que podia”

O Ministério da Administração Interna abriu um inquérito na Inspeção Geral da Administração Interna (IGAI) sobre a morte do cidadão ucraniano e abriu cinco processos disciplinares imediatos aos envolvidos, sendo que a diretora não é uma das visadas.

Cristina Bernardo

O ministro da Administração Interna (MAI), Eduardo Cabrita, sustentou em entrevista à “Renascença” e ao “Público” que a diretora do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Cristina Gatões, podia ter cessado as suas funções na direção na altura em que aconteceu a morte do cidadão ucraniano Ihor Homeniuk no aeroporto de Lisboa.

“Eu cometo erros quer de tempo quer de avaliação. Mas no contexto do que era possível fazer face à tragédia com que fomos confrontados, o essencial foi feito a dia 30 [de março]. A senhora diretora do SEF podia ter cessado funções na altura? Obviamente que podia. Mas nem o processo crime nem o processo disciplinar a envolvem”, disse Eduardo Cabrita.

O ministro foi mais longe e disse que existem dois tempos quanto a este caso, sendo que a retoma do Espaço Equiparado a Centro de Instalação Temporária foi imediatamente encerrado e reestruturado após a tragédia. Eduardo Cabrita assumiu ainda que “a diretora nacional não tinha perfil para acompanhar o tempo da reestruturação” do SEF que está predisposto no programa do Governo.

O Ministério da Administração Interna abriu um inquérito na Inspeção Geral da Administração Interna (IGAI) sobre a morte do cidadão ucraniano e abriu cinco processos disciplinares imediatos aos envolvidos, sendo que a diretora não é uma das visadas.

Na entrevista, Eduardo Cabrita voltou a referir que teve uma reação imediata ao caso. “O que me parece importante é o reconhecimento que foi feito num tempo muito especial, em pleno estado de emergência. Usei a expressão ‘murro no estômago’ e tive uma reação imediata”, sustentou.

À embaixadora da Ucrânia em Portugal, o ministro disse que “o Estado português assume a total responsabilidade pelo apuramento da verdade e faremos tudo o que for necessário”, sendo que relativamente à questão da indemnização da morte do cidadão ainda é “necessário conjugar com aquilo que é o ritmo da evolução do processo criminal”, podendo levar algum tempo.

O ministro da Administração Interna, que já foi ouvido no Parlamento em relação a este tema, disse à “Renascença” e ao “Público” que compara este caso “com a morte ao serviço do Estado de militares dos comandos”. “Foi há dois anos, a indemnização foi agora. A urgência é toda, mas é preciso clarificar aqui a posição do Ministério Público enquanto representante do Estado e a intervenção do Estado”, apontou.

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