Eduardo Cabrita afirma que audição sobre festejos do Sporting é “verdadeiramente da época passada”

Eduardo Cabrita assumiu que a audição “só pode existir porque, relativamente a uma matéria que é designada no pedido como ‘festejos do SCP’, o ministro da Administração Interna determinou, face às dúvidas no espaço público, no dia 12 de maio a realização de um inquérito pelo IGAI, e no dia 16 de julho foi apresentado o relatório desse inquérito e foi apresentado o despacho sobre o mesmo, por mim próprio”.

JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

O ministro da Administração Interna está a ser ouvido no Parlamento devido ao festejos do Sporting Clube de Portugal no âmbito da vitória do campeonato 2020/2021. Eduardo Cabrita assumiu que esta “é uma audição verdadeiramente da época passada”, visto que a celebração no Marquês de Pombal aconteceu no passado mês de maio, notando que a mesma “não tem qualquer sentido”.

O deputado do PSD, Duarte Marques, assumiu que o ministro “lavou as mãos como Pilatos” e que Eduardo Cabrita só não foi ouvido mais cedo no âmbito destas celebrações porque os pedidos de audição foram negados. Esta audição decorre por ter sido solicitada diversas vezes pelo PSD, e agora aprovada.

“O senhor ministro diz à PSP para obedecer à Câmara de Lisboa e ao Sporting, atribui a responsabilidade à Câmara de Lisboa. Tentámos ouvir a Câmara de Lisboa mas o PS voltou a chumbar a audiência”, atirou Duarte Marques no início da audição ao ministro. Em resposta, Eduardo Cabrita voltou a recusar a responsabilidade do Ministério da Administração Interna na organização do evento.

Eduardo Cabrita assumiu que a audição “só pode existir porque, relativamente a uma matéria que é designada no pedido como ‘festejos do SCP’, o ministro da Administração Interna determinou, face às dúvidas no espaço público, no dia 12 de maio a realização de um inquérito pelo IGAI, e no dia 16 de julho foi apresentado o relatório desse inquérito e foi apresentado o despacho sobre o mesmo, por mim próprio”.

O ministro da Administração Interna, ouvido pelos partidos na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, afirmou que “é a entidade que festeja que deve determinar o quadro da sua realização”. “Cabe à PSP, ao Ministério da Administração Interna, manter as condições de ordem pública adequada às características do evento”, notou o governante.

“O senhor ignorou os avisos da PSP, ignorou os avisos da DGS e preferiu deixar continuar a festa sem controlo, e depois ainda acusou a PSP de não ter cumprido o seu papel”, disse o deputado do PSD.

Duarte Marques lembrou ainda que durante os festejos estava em vigor o estado de calamidade, sendo que o Ministério tinha poderes especiais para atuar perante a situação que se verificou.

Eduardo Cabrita relembrou em Parlamento que foi o ministro “que mais vezes esteve em debate, sempre disponível para corresponder a toda a disponibilidade de qualquer tema”. “Estive em 19 debates em plenário e oito audições em comissão parlamentar”, recordando a sessão passada.

O deputado do PSD assumiu que Cabrita não se deveria congratular pela sua presença na Assembleia da República, notando que isso revela alguma “incompetência”. Também o deputado do PCP, António Filipe, apoiou a perspetiva do deputado Duarte Marques.

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