Eleições em São Tomé. Patrice Trovoada exorta primeiro-ministro a reconhecer a derrota

O presidente da Ação Democrática Independente (ADI), partido mais votado nas legislativas de São Tomé e Príncipe, exortou hoje o primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus, a reconhecer a derrota do MLSTP/PSD “o mais rapidamente possível” para apaziguar o clima social.

“Em qualquer caso, o ADI tem maioria absoluta. Em qualquer caso, o MLSTP perdeu as eleições e uma maneira de apaziguar também a situação é reconhecer a sua derrota e eu espero que o senhor Jorge Bom Jesus faça isso o mais rapidamente possível”, declarou Patrice Trovoada, cujo partido obteve 36.549 votos nas eleições legislativas de domingo passado, seguido do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe/Partido Social Democrata (MLSTP/PSD), do primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus, com 25.531 votos.

Patrice Trovoada sublinhou que a comunidade internacional, composta por Estados que “são amigos” de São Tomé e Príncipe, mas também “Estados responsáveis e com uma tradição democrática ancorada há várias décadas”, já se pronunciou, “felicitando o ADI e reconhecendo a vitória”.

Portugal, Guiné-Bissau e Cabo Verde já felicitaram Patrice Trovoada pela eleição, bem como a Internacional Democrata Centrista, a que pertence o PSD português e “composta pelos partidos que fazem parte do grupo dos partidos populares na União Europeia e que são maioritários no Parlamento Europeu”, recordou.

O primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus, advertiu hoje que “nenhum cidadão ou partido político deve pretender substituir as instituições do Estado” e apelou à calma enquanto as autoridades avaliam “algumas irregularidades” detetadas nas eleições de domingo.

O chefe do executivo são-tomense garantiu que “a autoridade do Estado não será colocada em causa” e advertiu que as forças de segurança poderão intervir em caso de necessidade.

Jorge Bom Jesus afirmou que “o Governo não fugirá às suas responsabilidades”, acrescentando que “os meios de segurança e ordem interna serão ativados para evitar qualquer tentativa de instalação do caos no país e também para garantir a paz social, a coesão nacional e a proteção das pessoas, bens e instituições públicas”.

Patrice Trovoada condenou estas declarações, acusando o chefe do Governo de “tentar amedrontar as pessoas”, e afirmou que os polícias e militares são-tomenses “passam pelas mesmas dificuldades que o povo são-tomense”.

“Por conseguinte, são cidadãos conscientes, responsáveis e não é uma milícia a favor e às ordens do Governo do MLSTP”, comentou.

Patrice Trovoada considerou que o presidente da Comissão Eleitoral Nacional (CEN), juiz José Carlos Barreiros, “falhou” ao não anunciar o número de mandatos por partido, limitando-se a dar conhecimento do número total de votantes para cada força política, o que foi contestado por apoiantes da ADI, que se manifestaram entre segunda e terça-feira junto à sede da comissão eleitoral.

“Eu espero que, agora que estão praticamente concluídos os trabalhos a nível das assembleias de apuramento distrital, em que participam todos os representantes dos partidos concorrentes e presididas por um magistrado, eu espero que o presidente da Comissão Eleitoral Nacional volte à razão e apresente os resultados das assembleias de apuramentos”, afirmou.

Defendeu ainda que o seu partido teve “liberdade de comunicação” ao divulgar, na terça-feira, os dados oficiais da CEN, com a distribuição de mandatos (29 para a ADI, 18 para o MLSTP, seis para o Movimento de Cidadãos Independentes e dois para o Basta).

O primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus, também referiu hoje que foram detetadas “algumas irregularidades”, pelo que defendeu “prudência” até que “estes dados sejam verificados e clarificados em instância própria”.

Patrice Trovoada desvalorizou esta questão, afirmando que as contestações registadas nas mesas de voto são “irrelevantes” e “não podem alterar os resultados”.

“Se o senhor juiz Barreiro, presidente da Comissão Eleitoral Nacional, tivesse feito o seu trabalho de comunicação, ajudaria a baixar a tensão a nível da sociedade, porque as pessoas estão à espera e existe uma tradição, existe uma jurisprudência, existe um hábito democrático em São Tomé e Príncipe e as pessoas constatam que dessa vez a prática, os comportamentos são completamente em contradição com o passado”, comentou, fazendo um apelo à calma.

“Vamos aguardar com calma, vamos respeitar a lei e eu estou convencido que se o Tribunal Constitucional não voltar a brindar-nos com os comportamentos das presidenciais, tudo deve correr bem na ordem e na paz para que os são-tomenses tenham os resultados finais definitivos oficiais proclamados pelo presidente do Tribunal Constitucional”, referiu.

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