Eleições. Governo sem maioria pode agravar juros

Uma maioria relativa da coligação e o necessário do apoio do PS para implementar medidas, poderá provocar instabilidade política e agravar os juros no mercado secundário. A previsão é de Steven Santos, gestor do BIG. Diz que os eleitores preferiram “a continuidade das reformas económicas iniciadas nos últimos anos a uma rutura que poderia iniciar-se […]

Uma maioria relativa da coligação e o necessário do apoio do PS para implementar medidas, poderá provocar instabilidade política e agravar os juros no mercado secundário. A previsão é de Steven Santos, gestor do BIG. Diz que os eleitores preferiram “a continuidade das reformas económicas iniciadas nos últimos anos a uma rutura que poderia iniciar-se com um governo de esquerda”.

Mas adverte que “se uma maioria absoluta não for assegurada, é possível que a coligação PSD-CDS tenha de obter o apoio do PS para implementar medidas, o que poderá provocar instabilidade política e agravar os juros no mercado secundário. Como o financiamento do IGCP para este ano está garantido, não há pressão para emitir dívida a curto prazo.”

Acrescenta que num clima de elevada estabilidade política, a economia portuguesa tem crescido num contexto amplamente favorável de depreciação do euro, de baixíssimos juros da dívida e de reduzidos preços energéticos, contribuindo para o êxito de uma estratégia baseada nas exportações. A confirmar-se a vitória da coligação, “o caminho deverá continuar a ser o apoio ao investimento privado e às exportações, criando espaço para que os agentes económicos possam trabalhar e para que as empresas reduzam a dependência do mercado doméstico e diversifiquem geograficamente as suas receitas.”

Entretanto, os resultados conhecidos hoje poderão ajudar o principal índice nacional a inverter a tendência de queda, refere aquele gestor. Antecipa que em reação às eleições, “as componentes do PSI 20 que deverão registar amanhã movimentos mais expressivos são aquelas que dependem mais do mercado nacional em termos de receitas, nomeadamente a EDP, a Jerónimo Martins, a EDP Renováveis, os CTT e a REN, que valem 25,5 mil milhões de euros em capitalização bolsista”.

No mercado de dívida pública, as Obrigações do Tesouro a 10 anos valorizaram-se ao longo da última semana, com os juros a caírem para os mínimos de Agosto. O facto de os partidos eurocéticos não terem ganho popularidade em Portugal explica a confiança dos investidores, que não reduziram significativamente a exposição à dívida portuguesa antes das eleições. O diferencial entre as yields de Portugal e de Itália, país periférico que não atravessou recentemente nenhum período de eleições, aumentou apenas ligeiramente na última semana, não havendo um desfasamento excessivo que possa ser atribuído a um eventual risco político em Portugal.

Por Vítor Norinha/OJE

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