Eleições municipais na Venezuela: o último teste antes das presidenciais

Ainda sem resultados finais oficiais, os analistas querem observar a resposta dos venezuelanos aos apelos da oposição. E também se a democracia prevaleceu.

HO/Reuters

Qualquer eleição é importante na Venezuela, não só para se perceber até que ponto Nicolás Maduro consegue manter-se no poder, mas também para que o exterior consiga avaliar o garau de democracia do regime. Desta vez, e até ao fecho desta edição, não havia a registar grandes desentendimentos nas urnas – o que contrasta com algumas eleições recentes, nomeadamente a última, para os Estados – o que pode querer dizer que finalmente os venezuelanos estão a encarar o ato eleitoral com alguma normalidade.

Mas os analistas não estão todos de acordo. Alguns deles afirmam que esta aparente normalização não é mais que o resultado dos desentendimentos que se têm verificado no interior da oposição – isto é, os opositores ao regime de Maduro estariam sem força para manter a pressão nas ruas, o que também passa, como se sabe, por alguma violência à mistura.

As informações sobre as contradições no seio da oposição não são profundamente conhecidas, dado que os jornais pouco têm falado sobre o assunto, mas parece certo que o governo de Maduro tem tentado aproximar-se de algumas individualidades na tentativa de os aproximar novamente do regime. Alguns deles, aparentemente, têm cedido – o que pode ser uma forma de enfraquecer a oposição.

Os resultados finais só serão conhecidos, na melhor das hipóteses, durante o dia de hoje, mas ninguém acredita que Maduro não consiga um bom resultado. E isso será importante para o regime por outra ordem de fatores: é que este é o último ato eleitoral antes da marcação do próximo ato, as eleições presidenciais.

Serão as eleições que decidirão tudo – se for caso de serem disputadas em regime democrático, o que para alguns analistas não é ainda seguro. Ao longo do ano, diversas figuras ligadas à oposição chegaram a avançar com a hipótese de Maduro poder vir a optar por, pura e simplesmente, não convocar o ato eleitoral.

Esse ‘fantasma’ esteve muito presente no ano passado, quando as eleições parlamentares determinaram uma maioria da oposição concentrada na Mesa de Unidade Democrática (MUD). Maduro nunca o disse, mas a verdade é que a oposição temia que o país nunca chegasse às presidenciais.

Por seu turno, quanto melhores forem os resultados do partido do governo, mais desanuviado chegará o ambiente político às eleições presidenciais. Depois das eleições estaduais, ganhas pelo regime, as ondas de choque não se fizeram esperar: a perseguição à oposição continuou em alta e várias personalidades de destaque tiveram de fugir do país. É por isso que os analistas estão empenhados em perceberem como é que o regime vai lidar com o resultado das eleições de ontem e, por outro lado, até que ponto é que, sejam quais forem os resultados, é possível avaliar-se a ‘envolvente democrática’ que esperava os eleitores.

 

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