“Eliminar a pobreza interna” deve ser a prioridade das empresas

Os empresários dão hoje claros sinais de uma maior consciencialização do seu papel social. Uma trajetória que os jovens líderes vão saber assegurar e inovar.

A ACEGE, que se define como um movimento social cristão, vive atenta à comunidade e aos grandes desafios sociais da atualidade. “Inspirar líderes a viver o ‘amor e a verdade’ no mundo económico e empresarial e a dar testemunho junto da comunidade, promovendo através do seu trabalho, a dignidade de cada pessoa e a construção do bem comum” é a principal missão da ACEGE, recorda o seu presidente, JoãoPedro Tavares.
“Não é um caminho absolutamente nada fácil, muito exigente e cheio de desafios. Desde logo porque sabemos que, em parte, é contra a corrente e é exigente na perseverança e no testemunho. Entender que a finalidade máxima da empresa é a criação de valor (e não apenas o seu lucro), encerra em si múltiplos desafios”, explica ainda.
De igual exigência é, em seu entender, reconhecer que outro grande desafio é a sua distribuição, entre os múltiplos stakeholders “de forma que seja justa e equilibrada”.
Em matéria de Responsabilidade Social Corporativa (RSC), o responsável afirma que nenhuma empresa pode falar ou “publicitar” a RSC se não começar por ser modelo interno. “A empresa tem a responsabilidade, primária, de eliminar a pobreza interna. Para isso, tem de haver maior proximidade entre colaboradores, é necessário conhecer e reconhecer situações que carecem de atendimento e procurar humanizar a realidade empresarial”, sublinha. Para si, quando falamos de pobreza, devemos ter também em mente “a pobreza social, pobreza familiar, nos afetos, na visão de vida, nas relações, tantas situações”.
Por outro lado, também existe a responsabilidade social externa, para a sociedade, para o mundo. Nesta esfera, João Pesdro Tavares destaca em particular o compromisso de pagamentos pontuais, a que aderiram mais de 850 empresas, dos múltiplos setores e 20 municípios que representa uma medida de grande justiça, para além do valor económico e social que tem associado.

Envolvimento dos empresários nas comunidades
Na leitura que faz do envolvimento dos empresários nas comunidade e em causas sociais, o responsável afirma que “olha para o copo” e o vê “meio cheio” mas com a esperança crescente de que se continuará a encher: “por todos os sinais que tenho assistido existem várias formas de promover o envolvimento dos líderes empresariais”. Desde logo, explica, explicitar uma nova cultura de liderança (de que a ACEGE não é detentora mas é promotora entre outras), de uma maior consciência social. “Ao desafiarmos o ‘amor como critério de gestão’ estamos a colocar a fasquia do desafio muito elevada pois apontamos para ‘O critério, O valor’, mais relevante de qualquer outro”, reforça.
Por outro lado, aACEGEtambém aposta em promover um trabalho em rede, de modo a a criar o contágio do bom exemplo, do resultado obtido e partilhado.
Para João Pedro Tavares existe uma crescente noção e consciência de que a finalidade da empresa não é estritamente financeira e que a sua pegada deve ser visível na sociedade. “O impacto social não é restrito ao setor social que se obriga também à criação de valor para lá do social”, conclui.

Jovens e a comunidade
É no trabalho que a ACEGEdesenvolve com jovens líderes que João Pedro Tavres alicerça a convicção de que teremos uma nova geração com maior sentido de responsabilidade. “Sabem que terão de ser promotores de paz, num mundo de guerrilhas. Construir pontes de tolerância, num mundo de radicalismos. Sabem que não se salvam sozinhos e estão dispostos a abdicar em função do bem comum. Os nossos jovens são um grande sinal de esperança para o nosso futuro”, sublinha.
Mas ainda assim, poderemos esperar que estes futuros líderes façam mais do que o simples cumprir de uma política de RSC a que as empresas estão “obrigadas”? João Pedro Tavares não tem dúvidas de que sim. “As políticas de RSC foram introduzidas no seculo XX de forma formal. Pelo meio perverteram-se os propósitos, passando a ser máquinas de marketing e comunicação. Existe uma maior consciencialização e denúncia destas situações (que podem ser legitimas mas não como RSC) e uma vontade de contribuir para a pegada enorme que as empresas deixam na sociedade, nas pessoas, nas famílias, na economia”,elucida.
Assim, para o presidente da ACEGE não restam dúvidas de que vivemos uma mudança de época que será materializada pelos jovens. E por isso acrescenta: “Revejo em muitos um enorme sentido de missão, como cidadãos, antes de serem empregados, como empreendedores. Um coração generoso aberto à partilha. Um foco no presente, sem esquecer o futuro. Mas também, desafios ao nível da introdução de crescentes tecnologias, meios de comunicação, capacidade de irem mais além. Estou certo de que continuarão a ser muito criativos e a buscar novos caminhos, por mares nunca dantes navegados. Assim o permitamos, os seniores, e nos sintamos também contagiados, estando disponíveis para abdicarmos do que é meu, se isso promover o bem comum, a dignidade da pessoa, um mundo mais justo”. n

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