Elizabeth Holmes comprou bilhete só de ida para o México depois da condenação

A fundadora da Theranos, que chegou a ser a maior promessa de Silicon Valley, foi condenada a 11 anos de prisão por fraude. Documentos do processo agora conhecidos mostram que Holmes comprou um bilhete só de ida para o México dias após a condenação.

A fundadora da Theranos, Elizabeth Holmes, comprou um bilhete só de ida para o México dias depois de conhecida a sentença de 11 anos de prisão, revelam documentos do processo tornados públicos esta segunda-feira. A empreendedora de 38 anos, que chegou a ser um dos nomes mais promissores do ecossistema, foi condenada por fraude eletrónica.

A Theranos prometia revolucionar o sector biomédico, permitindo a realização de vários despistes de doenças com apenas uma a duas gotas de sangue, como recordou o Jornal Económico em março do ano passado. A sentença veio a ser confirmada em novembro.

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Holmes foi condenada inicialmente a 3 de janeiro de 2022, por quatro crimes de fruade eletrónica. Os procuradores que a acusavam vieram a reportar às autoridades que a mesma tinha comprado um bilhete de avião para o México, com data de partida a 26 de janeiro. O governo federal norte-americano tomou conhecimento do mesmo apenas três dias antes.

A viagem só foi concelada após intervenção das autoridades norte-americanas. Mais um capítulo entusiasmante, ainda que anti-climático, na história da ascensão e queda de um dos maiores unicórnios de Silicon Valley.

Os documentos do processo revelam que os procuradores demonstraram hesitação quanto à liberdade condicional da ex-CEO da startup. O futuro de Elizabeth Holmes é garantidamente atrás de grades, e a mesma tem até 27 de abril para se entregar, ainda que não seja conhecida a prisão onde servirá a pena de 11 anos.

Além do risco de fuga, comprovado pelo bilhete de avião comprado, a acusação alega que Holmes manteve acesso a vastos recursos financeiros, mesmo após a insolvência da Theranos, que representava todo o seu património, segundo declarações da mesma ao IRS.

“[Holmes] viveu num condomínio por mais de um ano onde, com base nas declarações de movimentos financeiros que entregou às autoridades, as despesas mensais excediam os 13 mil dólares”, lê-se no documento.

A acusão nota ainda que um juiz do caso concluiu que Holmes “nunca acreditou que seria emprisionada”, baseada numa “esperança infundamentada de que o tribunal lhe atribuíria uma pena suspensa”. Além disso, notam, Holmes nunca “demonstrou… nas suas palavras ou comportamento, que compreendia genuinamente que roubou uma quantia significativa de dinheiro aos investidores, mentindo e falsificando documentos”.

“Ao mesmo tempo, quando o seu incentivo para fugir era mais elevado do que nunca, [Holmes] pediu ao tribunal para relaxar nas suas restrições de viagem ao permitir-lhe deslocações” para fora do estado da Califórnia.

Recorde-se que os Estados Unidos mantêm relações bilaterais com o México no que diz respeito às extradições desde o século XIX. Desde 2005, o México deportou entre 150 a 200 fugitivos das autoridades norte-americanas, segundo dados do Departamento de Estado norte-americano.

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