Em dia vermelho na Europa, PSI 20 fecha na ‘linha de água’

Euro segue a valorizar 0,24% para 1,180 dólares e os juros da dívida de Portugal a 10 anos recuam para 1,76%.

Hugo Correia/Reuters

A Bolsa de Lisboa fechou esta segunda-feira com um ganho ligeiro, a subir 0,09% para 5.364,82 pontos, num dia negativo para os principais índices acionistas na Europa. O retalho e a banca penalizaram o PSI 20, enquanto a energia levou ao fecho no verde.

“Portugal contrariou o sentimento na Europa e terminou o dia praticamente inalterado”, explicou Steven Santos, gestor de ativos do BiG – Banco de Investimento Global. “Os ganhos foram de alguma reversão, como foi o caso da EDP, depois de alguma pressão nos últimos dias”.

A REN fechou com uma subida de 1,39% para 2,483 euros por ação, depois de ter anunciado na sexta-feira que concluiu o aumento de capital de 250 milhões de euros com uma procura 65% acima da oferta.

Ainda na energia, destacam-se os ganhos da EDP (0,92% para 2,947 euros). A Galp, que avançou 0,74% para 15,745 euros, está a beneficiar da notícia da Bloomberg de que a JPMorgan colocou a petrolífera portuguesa na lista de ações preferenciais – top stock picks – para o setor energético na Europa em 2018.

No vermelho fecharam o BCP, que caiu 1,03% para 0,258 euros, mas também a Sonae, que perdeu 1,92% para 1,073 euros, e a Jerónimo Martins que desvalorizou 0,40% para 16,23 euros.

Na Europa, o dia foi pintado de vermelho, no início de uma semana em que o foco está nas cinco reuniões de bancos centrais entre quarta e quinta-feira. Uma explosão em Nova Iorque pressionou as negociações no início da tarde, mas Steven Santos desvaloriza o efeito de longo prazo, já que nem nos índices norte-americanos houve um impacto significativo.

O índice pan-europeu Eurostoxx 50 perdeu 0,25% para 3.582,33 pontos. Entre as principais praças europeias, o alemão DAX caiu 0,26%, o francês CAC 40 recuou 0,23% e o espanhol IBEX 35 perdeu 0,10%. Em sentido contrário, o britânico FTSE 100 avançou 0,71%.

No mercado cambial, o euro segue a valorizar 0,24% para 1,180 dólares. Já os juros das dívidas soberanas na zona euro recuam, 1,4 pontos base para 0,29% no caso da Alemanha, 1 ponto base para 0,62% em França. Já a dívida espanhola a 10 anos agrava 0,9 pontos base para 1,40%.

Em Portugal, as yields benchmark recuaram 1,2 pontos base para 1,76%, com os investidores especialmente expectantes em relação à decisão da Fitch, na sexta-feira. A agência de notação financeira tem uma avaliação ao rating nacional marcada e poderá tornar-se a segunda das três principais agências a tirar Portugal do nível de lixo.

[Notícia atualizada às 17h15 com o comentário]

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