“Em Portugal, existe o fenómeno de trabalhar e empobrecer ao mesmo tempo, não pode ser”, diz líder do PCP

Jerónimo de Sousa diz que só a “valorização dos salários” é suficiente para dar resposta ao aumento dos preços. O PCP garante que vai apoiar a CGTP na “luta dos trabalhadores”.

MÁRIO CRUZ/LUSA

O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP) defendeu hoje, no Dia do Trabalhador, que o aumento dos salários é a única solução para dar resposta ao aumento dos custos de vida, incluindo da alimentação.

“O PCP fará tudo para conseguir a valorização dos trabalhadores. A vida está mais cara, os salários estão mais desvalorizados. É preciso olhar para os trabalhadores e para o povo e criar condições de vida mais dignas, começou por dizer hoje, 1 de maio, Jerónimo de Sousa em declarações aos jornalistas na Avenida Almirante Reis em Lisboa.

“É preciso responder aos problemas da juventude com os níveis de precariedade insuportáveis que os impede de fazer a vida e de ter uma família, e de constituir uma carreira contributiva”, destacou. Jerónimo de Sousa falava na zona dos Anjos à comunicação social, enquanto aguardava pela manifestação da CGTP que subia a Almirante Reis, um ritual habitual.

Em relação a propostas do PCP na discussão do Orçamento do Estado para 2022 na especialidade, o líder do comunista disse que “já apresentámos um conjunto de propostas”, destacando que o “Governo apresentou uma proposta de OE que não alterou substancialmente” face à proposta chumbada anteriormente.

“O aumento dos preços hoje, no plano alimentar, é uma preocupação dos portugueses. Não é com subsídios aqui e acola [que se combate o aumento dos preços], é com a valorização dos salários e dos trabalhadores”, afirmou, em declarações transmitidas pela “SIC Notícias”.

“Em Portugal, existe o fenómeno de trabalhar e empobrecer ao mesmo tempo, não pode ser”, apontou.

Questionado sobre se o PCP está preparado para protestos nas ruas, Jerónimo de Sousa respondeu que a “melhor resposta será a luta dos trabalhadores. Podem contar com a solidariedade do PCP”.

O secretário-geral do PCP subiu depois a Avenida Almirante Reis com a manifestação do CGTP até à Alameda Afonso Dom Henrique, onde vai ser celebrado o Dia do Trabalhador, organizado precisamente pela central sindical.

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