Emigração vai manter-se alta mesmo no pós-crise

“Nunca iremos, nos tempos mais próximos, regressar a níveis de emigração muito baixos”, defende o Observatório da Emigração

O coordenador científico do Observatório da Emigração, Rui Pena Pires, admitiu no parlamento que a emigração nacional, que em 2014 estabilizou com a saída de 110 mil portugueses, deverá “manter-se alta”, mesmo depois de ultrapassada a crise.

O responsável do Observatório da Emigração foi ouvido, a pedido do PCP, na comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas a propósito do relatório da emigração do ano passado e do corte do financiamento decidido pelo anterior Governo, de maioria PSD/CDS-PP.

“Vamos ter emigração alta, embora mais baixa que os níveis atuais, uma vez esta crise ultrapassada. Nunca iremos, nos tempos mais próximos, regressar a níveis de emigração muito baixos”, declarou Pena Pires.

O relatório da emigração de 2014 indicou que a emigração se manteve nos níveis do ano anterior, com um saldo de 110 mil saídas, e que a imigração foi baixa, criando uma “recessão demográfica” que o responsável do Observatório disse ser preocupante, por se somar “ao fraco saldo demográfico natural”.

“Espero que a emigração comece a descer. É provável que comece a descer, independentemente das políticas, pela simples razão de que daqui a pouco não há mais ninguém para sair”, considerou.

O Observatório, criado em 2009, resulta de uma parceria entre o ISCTE e a Direção Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas e elaborou, pela segunda vez, o relatório da emigração. O primeiro estudo, relativo a 2013, foi divulgado em julho de 2014, mas os dados do ano passado apenas foram conhecidos em outubro, já depois das eleições legislativas, apesar de o relatório ter sido entregue em junho deste ano ao anterior Governo.

Rui Pena Pires relatou que, “dias depois” da divulgação na página da Internet do Observatório do número de saídas em 2014 – que disse ser o único dado que ainda não era conhecido -, este organismo foi informado que “por quebra de confiança, o protocolo foi denunciado”.

OJE

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