Emissão de obrigações do Novo Banco premiada pela International Financial Review

A primeira dívida subordinada emitida pelo Novo Banco, em junho de 2018, marcou o regresso da instituição financeira aos mercados. A operação incluiu a troca de obrigações sénior, tem maturidade de dez anos, com possibilidade de reembolso a partir do final do quinto ano, foi colocada junto de investidores privados com uma taxa de juro de 8,5%.

Cristina Bernardo

A emissão de 400 milhões de euros de obrigações do Novo Banco, concretizada em junho de 2018, foi eleita pela International Financial Review (IFR), a mais prestigiada publicação financeira neste tipo de emissões, como a melhor operação de instituições financeiras europeias.

O Novo Banco foi a única instituição portuguesa e da Península Ibérica a receber a distinção da IFR, que também premiou outros emitentes que operam em diferentes setores, como Lloyds (setor bancário), a Bayer (indústria farmacêutica), a Uber (mobilidade), a Nestlé (alimentar) e a Universidade de Cambridge.

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A primeira dívida subordinada emitida pelo Novo Banco marcou o regresso da instituição financeira aos mercados e “provou a confiança dos investidores no projeto do Banco”, revelou em comunicado do banco liderado por António Ramalho. Esta emissão foi uma exigência de Bruxelas no quadro da venda do banco ao Lone Star, incluiu a troca de obrigações sénior, tem maturidade de dez anos, com possibilidade de reembolso a partir do final do quinto ano, foi colocada junto de investidores privados com uma taxa de juro de 8,5%.

A operação foi concluída à taxa anual mínima previamente definida de 8,5%, mas como houve uma larga adesão na troca de obrigações cupão zero de longo prazo (mais de 80%), o custo marginal para o banco acabou por ser um quarto daquele valor, explicou o banco no fim de setembro.

Na colocação dos 400 milhões de euros, 258,8 milhões de euros (ou seja, mais de 60%) foram de “novas obrigações ‘tier 2’ resultantes da troca de obrigações seniores existentes”. Já em novos investidores foram colocados 141,2 milhões, e neste caso houve o dobro da procura face à oferta. Caso o banco não obtivesse a procura suficiente para concluir esta emissão, que foi exigida pela Comissão Europeia, poderia pedir ao Fundo de Resolução que subscrevesse, em nome do contrato de tomada firme.

“A operação, que teve como bookrunners o JP Morgan e o Morgan Stanley, foi concluída à taxa anual mínima previamente definida, tendo havido uma larga adesão na troca de obrigações cupão zero de longo prazo, provando mais uma vez, a confiança dos investidores institucionais, nacionais e internacionais, na instituição”, lê-se na nota.

Recorde-se que a operação se concretizou depois do Novo Banco ter sido vendido ao fundo norte-americano, Lone Star, em outubro de 2017, que envolveu um reforço do capital próprio pelo fundo de mil milhões de euros. “De referir que a 4 de Outubro, o Novo Banco tinha concretizado com enorme sucesso a compra e reembolso antecipado de 4.743 milhões de euros de obrigações, uma operação que permitiu o cumprimento dos objetivos de capital e ganhos equivalentes num valor acima de 500 milhões de euros”.

 

 

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