Empatia e negócio

Existe a ideia que num mundo altamente tecnológico todos temos de desenvolver, principalmente, competências das áreas das tecnologias, como forma de nos tornarmos mais competitivos.

Existe a ideia que num mundo altamente tecnológico todos temos de desenvolver, principalmente, competências das áreas das tecnologias, como forma de nos tornarmos mais competitivos. No entanto, é já possível antecipar que neste mundo altamente tecnológico, o aumento da importância de competências como a criatividade, a colaboração, as dinâmicas interpessoais ou o trabalho em grupo são essenciais na forma como as pessoas se relacionam, sendo a empatia o elemento que melhor facilita a articulação das competências atrás mencionadas.

 

Mas o que é empatia e porque é que é que pode ser facilitadora de soluções no mundo dos negócios? A empatia pode ser descrita como formas diferentes de reagirmos e respondermos às reações e sentimentos dos outros, inclui uma dimensão cognitiva (entender o ponto de vista do outro), uma dimensão emocional, (compreender o que o outro sente) e uma capacidade motivacional (desejo de promover o bem-estar do outro). Por aqui conseguimos perceber que é algo que ocorre a vários níveis, é abrangente, relacional, multifatorial, enfim contem os mesmos pressupostos de funcionamento elegíveis para lidar com os desafios do mundo tecnológico que é ubíquo, exponencial, multifatorial, etc…

 

Dizer que a empatia é necessária para haver diferenciação no mundo dos negócios explica-se por um conjunto de fatores palpáveis. O primeiro é que a empatia aumenta o envolvimento dos colaboradores/as, aprofunda o seu sentimento de lealdade, enquanto gera inovação e diversidade na força de trabalho, habilitando-se assim como um dos principais ativos no processo de normalização desejado num período de regresso ao trabalho presencial neste tempo de pós-Covid. Em segundo lugar, as sequelas visíveis da pandemia levaram-nos a limites, com consequências visíveis para as organizações como sangria de talento, onde a exaustão física e emocional deu origem ao “workplace burnout”, uma condição reconhecida pela OMS descrita como stress crónico nos locais de trabalho, que não foi gerido com sucesso.

 

Com a crescente aceitação que os fatores que contribuem para o burnout são cada vez mais influenciados por culturas e locais de trabalho pouco saudáveis, as responsabilidades de gestão do burnout devem ser também das organizações. Estudos demonstram que a empatia gera inovação e compromisso, salientando que abordar o deficit de empatia nas organizações é bom para o negócio e que a empatia não é só uma forma diferenciada de “fazer negócio”, mas sim mais personalizada para responder às crises e transformações. É ainda um ingrediente distinto para a construção de locais de trabalho inclusivos, onde todos possam pertencer, contribuir e prosperar.

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