Empreendedorismo made in Portugal

Portugal é um país de empreendedores. Está no nosso perfil genético. Em séculos passados, esta característica levou-nos a atravessar oceanos, a estabelecer-nos e a fundar um império. Em tempos mais recentes, continua a fazer com que atravessemos fronteiras e procuremos oportunidades de negócio, bem como a lançar modelos de negócio inovadores, não só fora, mas […]

Portugal é um país de empreendedores. Está no nosso perfil genético. Em séculos passados, esta característica levou-nos a atravessar oceanos, a estabelecer-nos e a fundar um império. Em tempos mais recentes, continua a fazer com que atravessemos fronteiras e procuremos oportunidades de negócio, bem como a lançar modelos de negócio inovadores, não só fora, mas também dentro do nosso território. O chamado afastamento do centro da Europa nunca nos impediu de pensar além, de chegar mais longe.
Esta influência fez com que, a partir do momento que o primeiro português pôs os pés em territórios nunca antes explorados, o empreendedorismo tenha sido a pedra de toque do crescimento da economia nacional. Durante séculos, os resultados desta actividade traduziram-se em evolução de ativos a circular em Portugal. Hoje, o empreendedorismo mantém a sua importância crescente, como podemos constatar pelo número de “start ups” que nascem, quase diariamente, no nosso país.
Durante muitos anos, entre o período de abertura que se seguiu ao 25 de Abril até aos últimos anos do século XX, a política económica nacional assentou, essencialmente, no aproveitamento de fundos comunitários, sendo que as opções consideradas são, no mínimo, discutíveis.
Durante este período, obviamente, o empreendedorismo nacional não estagnou… Mas ficou em “banho-maria”, por assim dizer. No entanto, a necessidade aguça o engenho e a crise económica e financeira fez com que, muitos empreendedores “adormecidos”, despertassem. Assistimos, também, a um maior apoio do Governo, que se traduziu num aumento desta atividade, nos últimos sete anos, com o investimento inicial em novas empresas a duplicar.
Hoje, o empreendedorismo está no centro das atenções. Na “agenda”. É o foco de ações de dinamização, formação e informação, apoio e incentivo do Governo. Há cursos universitários com cadeiras específicas, pós-graduações e “crash courses” para que cidadãos comuns percebam que se podem transformar em empreendedores capazes de criar novos projectos, empregos e riqueza em geral.
A economia nacional precisa disso: aposta em novas empresas, quer sejam minimercados ou empresas inovadoras. Está no nosso ADN, só precisamos que não dificultem o processo. É que empreender faz-se com actos. Não com palavras.

Thebar Miranda
CEO Grupo Azevedos

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