Emprego dá trabalho aos Touros de Wall Street

Tudo somado, foi a disrupção que os Touros precisavam para quebrar a incerteza das últimas semanas, podendo mesmo ser um catalisador suficiente para o “rally” de Natal.

Andrew Harrer/Bloomberg

É certo que os dados do emprego têm sido o grande pilar do crescimento económico e da valorização de Wall Street, que atingiu sexta-feira novos máximos históricos. O trabalho abundante, com subida significativa dos rendimentos médios, tem funcionado como catalisador para a confiança do consumidor, que não dá sinais de abrandar quanto mais contrair, mas os números dos non-farm payroll, conhecidos no final da semana passada, foram algo surpreendentes.

Os 266 mil postos de trabalho criados em Novembro, muito acima dos 180 mil esperados, com revisão positiva dos dados publicados referentes aos dois meses anteriores deram logo um forte contributo para um reforço do optimismo dos investidores, que continuam a apostar num mercado que ao nível da avaliação está bastante mais “esticado” que o normal, ou seja os múltiplos de avaliação estão cerca de 10% acima da média de longo prazo.

A taxa de desemprego manteve-se bastante baixa, nos 3,5%, enquanto que os ganhos por hora subiram 3,1%, ambos resultados muito encorajadores numa altura em que o crescimento económico da economia norte-americana dura há mais de dez anos, registando assim um recorde de longevidade.

Se tivermos em conta as contrariedades que a guerra comercial tem provocado nas empresas mais exportadoras e no sentimento dos empresários, o cenário pintado sexta-feira pelos dados do emprego é ainda mais surpreendente, não obstante um ponto muito importante que também ajudou à “festa”, o facto de a força laboral disponível nos EUA ter diminuído para mínimos dos anos 90.

Isto, aliado a uma forte procura das empresas por mão-de-obra, fomentou o binómio de baixo desemprego e aumento dos rendimentos, sendo curioso que estamos a chegar a uma fase muito similar a da pré-bolha das dot.com, onde a força negocial pendia mais para o lado do trabalhador, que no sector da tecnologia por exemplo trocava de emprego em escassas horas.

Tudo somado, foi a disrupção que os Touros precisavam para quebrar a incerteza das últimas semanas, podendo mesmo ser catalisador suficiente para o “rally” de Natal, até porque esta semana será a última com a participação efectiva da maioria dos principais investidores.

Em termos de eventos temos a reunião da Fed, da qual não se esperam novidades relevantes, e os dados das vendas a retalho, onde os analistas apontam para uma recuperação após a quase estagnação do mês anterior.

No mercado cambial, o euro fraquejou face ao US dólar, com uma queda de -0,4% para $1,106, enquanto que nas matérias-primas o petróleo beneficiou da decisão dos membros da OPEP e seus aliados, de uma redução extraordinária do corte da produção em 2020. Fica no entanto por confirmar a duração dos cortes e a fiabilidade do acordo, pois é comum alguns membros do cartel faltarem aos seus compromissos no que toca a diminuir a produção.

O gráfico de hoje é do EUR/USD, o time-frame é de 4 horas.

 

Muito curioso o facto do principal par de moedas ter falhado em conseguir aguentar a quebra em alta do canal a laranja, estando agora num canal ascendente (azul), mas com alguns indícios de que o preço do activo poderá vir a passar por uma fase mais pessimista no curto-prazo.

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