A vírgula de Oxford, mais conhecida por ‘Oxford comma’ valeu aos trabalhadores de uma empresa de laticínios, a Maine, horas extras pagas.

O que é a ‘Oxford comma’?

É uma vírgula opcional antes da palavra ‘e’ ou ‘ou’, no final de uma lista. Exemplo: “Vendemos livros, vídeos, e revistas”. É conhecida como a vírgula de Oxford porque era tradicionalmente usada por leitores e editores da Oxford University Press. Nem todos os escritores e editores usam esta vírgula, mas pode ser muito importante no esclarecimento do significado de uma frase, quando os itens de uma lista não são palavras sozinhas, como por exemplo: “Temos cadernos em preto e branco, vermelho e amarelo, e azul e verde. Há quem defenda que a vírgula de Oxford não é necessária mas outros dizem que pode ajudar em situações de ambiguidade.

O Chicago Manual of Style cita o seguinte exemplo: “Ela tirou uma fotografia dos seus pais, presidente, e vice-presidente.” Sem a vírgula, a frase sugere que ela está a tirar uma fotografia dos seus pais, que são também presidente e vice presidente.

E porque é que a vírgula de Oxford é tão importante?

Recentemente, esta vírgula valeu 13 milhões de dólares. Um grupo de motoristas nos Estados Unidos ganhou um processo que durou três anos, contra a Maine. Em causa estava o pagamento de horas extras, como noticia o New York Times.

Os motoristas argumentaram que a lei do trabalho referente a horas extras era ambígua por causa de uma vírgula em falta. A lei diz que as regras de horas extras não se aplicam a:

“Enlatamento, processamento, conservação, congelação, secagem, comercialização, armazenamento, embalamento ou distribuição de: (1) Produtos agrícolas; (2) Carnes e produtos à base de peixe; e (3) Alimentos perecíveis.”

O problema residia na parte final da frase, “embalamento ou distribuição de”, ficando a dúvida se se referia-se a uma ou duas tarefas.

Segundo o relatório final do juiz, este deu razão aos trabalhadores, alegando que quando existe ambiguidade nas leis do trabalho, o trabalhador deve ser o beneficiado, e não o empregador.