Empresários consideram apoios insuficientes e projetam mais aumentos de custos, alerta CIP

O barómetro da CIP mostra que a generalidade das empresas perspetiva subidas de custos, especialmente na energia, e pede reduções do IVA e/ou ISP, além de mais apoios diretos. Das empresas que se candidataram a programas do Governo, mais de metade ainda espera resposta.

Cristina Bernardo/JE

A maioria das empresas inquiridas no barómetro ‘Sinais Vitais’ da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) consideram que os apoios disponibilizados pelo Estado ficam aquém do necessário, com cada vez mais empresários a fazerem uma avaliação negativa dos programas desenhados.

A edição de abril do barómetro realizado em conjunto com o ISCTE mostra que a percentagem de empresas que consideram os apoios adequados caiu de 16% para 12%, enquanto o número de empresários que os classificam como ‘muito aquém’ aumentou de 26% para 31%.

Simultaneamente, 73% das 307 empresas inquiridas classificam o processo de candidatura como burocrático ou mesmo muito burocrático, ao passo que 47% considera que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) não terá impacto na sua atividade. No outro extremo, apenas 8% das empresas projeta um impacto significativo do Plano, enquanto 2% vê um impacto muito significativo.

Nos últimos três meses, 27% dos inquiridos haviam-se candidatado a alguma medida de apoio, sendo que, destes, 53% ainda estão à espera de resposta. Dos restantes, 40% viu a candidatura aprovada e, destes, 58% já recebeu o apoio.

Por outro lado, entre os 73% que não se candidataram, 38% revela que não é elegível para tal, enquanto 23% ainda planeia candidatar-se.

O estudo revela que a atividade recuperou desde janeiro, data do anterior barómetro, com 96% das empresas em pleno funcionamento e as restantes apenas parcialmente encerradas. Embora equilibrado, o número de firmas a reportar aumentos de vendas no primeiro trimestre do ano em relação a igual período de 2019 chega a 41%, contra 30% que reporta quebras e 29% para quem tudo se manteve igual.

Já olhando para os custos, que têm disparado na sequência da decisão russa de invadir a Ucrânia, metade das empresas experienciou um aumento de custos acima de 15%, um valor que sobe para 55% no caso das pequenas empresas e para 54% no caso das de média dimensão. O aumento médio de março relativamente ao início do ano foi de 20%, acrescenta a nota.

No caso específico da energia, 79% das empresas esperam um aumento de custos, que deverá ser, em média, de 18%. Já considerando as restantes matérias-primas e consumíveis, a expectativa é que estes subam, em média, 17%, com 85% das empresas a perspetivar subidas.

Perante esta subida, o tecido produtivo pede sobretudo a redução do IVA e/ou ISP sobre a energia, uma medida defendida por 75% dos respondentes, com 65% a pedir apoios diretos às empresas mais atingidas.

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