Empresários querem “Export Summit” no Norte

Cerca de 43% das empresas exportadoras têm sede no Norte do país. Os números demonstram que o Norte merece ter aquilo a que António Ramalho, o CEO do Novo Banco, chama de “Export Summit”.

O Portugal Exportador reuniu num só espaço, durante um dia, centenas e centenas de empresas, entidades oficiais, parceiros financeiros e demais players do universo das exportações. Foram horas intensas de partilha e troca de ideias e conhecimentos que, para além de consubstanciarem as decisões do presente, também projetaram cenários futuros, apontando caminhos e soluções. E foi neste registo de proximidade, em que toda a geografia mundial se encaixou na cidade de Lisboa, que este ano, emergiu uma “reivindicação”, protagonizada pelos empresários do Norte de Portugal que, entretanto, foram partilhando este seu “desejo”. “E porque não se realiza a 12ª edição desta Export Summit na cidade do Porto?”.

Entre estas vozes, está a de Mário Vinhas, deputy country manager da MDS que defende “fazer todo o sentido levar evento para o Norte do país, sobretudo porque grande parte das exportadoras são do Centro e Norte”. Mas, alerta, “que seja feita a promoção do evento com grande antecedência.”

Assim, mais do que responder ao “porque não”, conheçam-se mais argumentos do “sim, claro”.

Os estudos mais recentes da Ignios, mostram que, num universo de 487.127 empresas em Portugal, cerca de 33% (161.232) têm sede na Região Norte; entre as 53.644 empresas exportadoras no nosso país, a percentagem a Norte é de 43% (23.147 exportadoras), e por último, das 7270 PME Líder, cerca de 42% (3029) estão no Norte.

A reforçar esta argumentação estão também os dados da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte (CCDRN), revelados em junho último, que indicam que, em 2015, as empresas com sede na região Norte exportaram 19.346 milhões de euros de bens, o que representa 38,8% no total das exportações do país. De 2012 a 2015, acrescenta o documento, o excedente gerado pela participação da Região Norte no comércio internacional de mercadorias situou-se entre 5 e 5,5 mil milhões de euros por ano e a taxa de cobertura tem sido superior a 140%.

As exportações do Norte centram-se em diversos produtos, tendo por base o que são os produtos ditos tradicionais, e que no ano passado representaram 41,8% das exportações do Norte. As matérias têxteis continuam a ser a principal exportação, representando 19,4% do total de 2015.

Assim, conclui, “a orientação exportadora da Região Norte reforçou-se nos últimos anos, passando de 24,1% em 2009 para 36,2% em 2015, superando os registos anteriores à crise internacional”.

Diante deste números, dirão os empresários do Norte, que pouco ou nada fica por dizer quanto à importância de realizar o Portugal Exportador a Norte, região que assume um papel preponderante no cenário das exportações e que, como anfitrião, poderá ser igualmente uma mais-valia.

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