Empresas apoiam Educação para valorizar capital humano  

São ainda poucas as empresas que inserem projetos na área da Educação nas suas políticas de responsabilidade social, mas as que o fazem estão conscientes da aposta nas pessoas e no conhecimento como um dos principais ativos do mercado de trabalho   Portugal foi um dos primeiros países a implementar o projeto NetAcad, da Cisco. […]

São ainda poucas as empresas que inserem projetos na área da Educação nas suas políticas de responsabilidade social, mas as que o fazem estão conscientes da aposta nas pessoas e no conhecimento como um dos principais ativos do mercado de trabalho

 

Portugal foi um dos primeiros países a implementar o projeto NetAcad, da Cisco. Corria ainda o ano de 1999 quando o Instituto Politécnico de Leiria recebeu os primeiros alunos que aceitaram o desafio de complementar a formação que ali já recebiam com uma formação extra, de cariz tecnológico, suportada pela Cisco. O sucesso do programa rapidamente o levou a alastrar aos diferentes níveis de ensino. E assim a NetAcad da Cisco abrange alunos do secundário, de politécnicos e de escolas de formação profissional. “Este programa não tem o lucro como objetivo, nem sequer o aumento das vendas. Fazemos tudo isto para desenvolver o potencial de empregabilidade dos formandos”, explica Nuno Guarda, responsável pelo desenvolvimento do projeto em Portugal.

Hoje, a Cisco orgulha-se de contar com 47 academias ativas no país e só no ano passado formou 2200 estudantes. Chegou a absorver alguns dos alunos, nos primeiros anos do projeto, mas atualmente contribui com o apoio à formação de jovens, que poderão destacar-se entre os demais, em futuras candidaturas laborais, pela formação complementar que receberam. “Estamos a dar algo ao mercado que pode ser aproveitado por muitas empresas, incluindo as nossas concorrentes”, sublinha Nuno Guarda ao OJE. “Hoje, mais do que nunca, tudo conta. Além da fluência em línguas, da capacidade de trabalhar em grupo e da capacidade de trabalhar remotamente, contam também as certificações da indústria e nós procuramos dar um contributo relevante nessa matéria”, justifica o responsável da Cisco.

Apoiar projetos ligados à Educação não é uma escolha de primeira linha nos programas de responsabilidade social das empresas portuguesas, mas entre aquelas que o fazem, o impacto é, geralmente, relevante. E quando o país atravessa uma crise de empregabilidade tão forte, a qualificação de recursos humanos passa a ser encarada como ainda mais crucial para a transformação de recursos em capital.

É o que o Santander Totta tem feito desde cedo, apostando claramente no apoio ao Ensino e Conhecimento, em especial ao ensino superior. Internacionalmente, o banco tem vindo a implementar o projeto Santander Universidades, que nos últimos 18 anos já alocou mais de mil milhões de euros a projetos universitários. Em Portugal, o programa foi instituído há 11 anos e desde então o banco já investiu 30 milhões de euros no ensino superior, tendo patrocinado cerca de 1500 bolsas de mobilidade internacional e 450 prémios de mérito científico e académico, entre outros projectos suportados por protocolos celebrados com 46 instituições de ensino superior em Portugal.

Também o BNP Paribas optou pelo apoio da formação de jovens, mas apostou na prática desportiva para este efeito. Apoia a Academia dos Champs, uma instituição que pretende formar o caráter e a personalidade de jovens em situação de vulnerabilidade social através da prática do ténis. Atualmente, estão em formação 150 jovens. Através de monitores profissionais, a academia procura motivar os jovens a adotarem desde cedo uma filosofia de vida com uma forte ligação ao desporto e ao sucesso ao nível pessoal e profissional. “Esta é uma iniciativa que prossegue o desenvolvimento pessoal e social dos jovens, potenciando-lhes a autoestima e a confiança, mas também as capacidades de interação e integração em grupo, aprofundando a sua apetência para o trabalho em equipa”, explica Sabrina Monteiro, diretora de Comunicação e de Responsabilidade Social do BNP Paribas.

Na seguradora MetLife, a aposta tem sido voltada para a educação financeira, em parceria com a Junior Achievement Portugal, atuando nas camadas mais jovens da população. “A ideia de levar às escolas programas de Educação Financeira foi especialmente desenhada para sensibilizar as crianças e jovens de todo o mundo para a importância da educação e gestão financeiras de longo prazo”, explica Oscar Herencia, diretor-geral da MetLife.

“É verdade que os jovens continuam a sentir de forma muito dura a crise económica, por isso a qualidade e a relevância da Educação Financeira são dois aspetos preponderantes e intimamente relacionados com o desemprego jovem. Acreditamos que as futuras gerações, em geral, e aqueles que têm acesso limitado à Educação Financeira, em particular, precisam de reforçar as capacidades e o conhecimento necessários para serem financeiramente independentes, gerindo melhor o seu dinheiro”, argumenta Oscar Herencia.

E por que faz sentido promover o empreendedorismo desde tenra idade? “O que se pretende com estes programas é que os alunos adquiram as competências financeiras básicas que lhes forneçam segurança material e as condições para uma vida feliz, com realização profissional e pessoal. Importa, por isso, ajudá-los a entender a importância de cada uma das decisões que fazemos na vida e suportá-las com uma base de conhecimento e educação adequada”, explica o diretor-geral da MetLife. “Os programas de Educação Financeira que levamos às escolas e às comunidades vêm preencher uma lacuna existente, que é a de instruir financeiramente os cidadãos para que eles possam, agora ou no futuro, aprender a gerir bem as suas finanças pessoais, fazer bons negócios, valorizar o dinheiro e investir com inteligência”, conclui Oscar Herencia.

 

OJE

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