Empresas apostam no consumo fotovoltaico

Especialistas apontam as reduções das emissões dos gases com efeito de estufa como uma das principais metas comunitárias e nacionais.

A redução das emissões dos gases com efeito de estufa está entre as principais metas comunitárias e nacionais, ocupando um espaço numa agenda ambiental global cada vez ambiciosa. Em Portugal, os sectores público e privado preveem uma redução de 35% do consumo de energia primária face a 2007, tendo em vista alcançar uma melhor eficiência energética em linha com as metas comunitárias e nacionais estipuladas para os próximos oito anos. Beatriz García, Energy Efficiency Project Manager da Axpo Iberia, e José Guedes, fundador e CEO da Energest, foram convidados para participar numa JE Talk sobre este tema, na JE TV, onde analisaram a execução do plano e as metas ambientais em curso.

A gestora da empresa fornecedora de soluções energéticas revelou estar otimista com o desempenho dos países no cumprimento destas metas, aludindo aos últimos relatórios de 2020, que indicam que já foram atingidas algumas metas ou que brevemente serão atingidas. Questionada sobre a execução destes objetivos no meio empresarial, García não tem dúvidas da preferência pela energia fotovoltaica: “A principal aposta das empresas é a do consumo fotovoltaico”. “O número de pedidos para projetos deste tipo cresce anualmente. Estamos a falar de uma tecnologia que já está madura, é simples, que tem preços competitivos e prazos curtos de amortização”, explicou, mencionando a situação atual dos preços energéticos devido à guerra na Ucrânia.

Beatriz García aponta para o crescimento desta tendência entre clientes e empresas, baseado numa preocupação maior pela “sustentabilidade, responsabilidade social e corporativa”. “Nas metas, estamos a falar de uma tecnologia que pode reduzir mais de 30%. Na minha opinião e experiência, esta é a principal aposta das empresas”, continuou. Por outro lado, José Guedes, fundador e CEO da Energest, entende que o plano parece “não estar desenhado para a área empresarial”. “Nas metas sectoriais estabelecidas para a redução dos gases com efeito de estufa, não é referido a indústria”. O diretor da Energest denuncia o que lhe parece ser “uma confusão entre eficiência energética e controlo da redução das emissões com gases de efeito de estufa.

“Posso ter um sistema de produção e transformação de energia, que utiliza uma fonte de energia primaria que vai dar origem à emissão de gases com efeito de estufa e ser mais eficiente do que um sistema que utiliza qualquer coisa que produz menos emissões”.

José Guedes, fundador e CEO da Energest e Beatriz Garcia Martin, Energy Efficiency Project Manager da Axpo Iberia. Questionado sobre a execução das metas ambientais pelo tecido empresarial, José Guedes considera que terá havido alguma falta de compreensão e alinhamento com a realidade portuguesa.

“Entendo que as metas devem ser, por definição, ambiciosas. Mas pode ter havido alguma falta de adesão à realidade no nosso país, quer no que diz respeito à dimensão do problema, quer quanto à capacidade nacional de o resolver em tão curto prazo de tempo. O tecido empresarial, nomeadamente a indústria, está naturalmente interessado na redução do consumo de energia, porque permite ou deveria permitir a redução dos custos de produção”. No que diz respeito às tendências no sector que visam os particulares, José Guedes criticou primeiramente o desinvestimento na indústria observado nos últimos quatro anos. “Perdemos o foco, pensamos apenas na eficiência energética. Passa pela progressiva adoção de medidas passivas que tem de deixar de ser apenas do domínio da engenharia, mas também interiorizadas no estudo da arquitetura”, afirmou, passando a elencar a utilização de painéis e outras técnicas emergentes de produção de superfícies fotovoltaicas, a continuação da aposta no solar térmico e substituição das caldeiras de gás pelas bombas de calor”.

Quanto à “indústria, não se pode dizer que haja uma tendência. Somos consultados muitas vezes para começar a transformar energia a partir de biomassa em vez de gás natural. Para produzir ou transformar a mesma potência, uma coisa que é gás natural custa 300 mil euros, biomassa custa um milhão ou meio ou mais. Desde logo, porque as soluções para a eficiência carecem de ser estudadas caso a caso”, comentou.

Questionada sobre o papel dos incentivos fiscais para a implementação destes sistemas, Beatriz García sublinhou a importância desses apoios para o sector e que “têm um efeito muito positivo ao despertarem o interesse das empresas e particulares” que, sem os mesmos, não “teriam considerado os instalar os painéis fotovoltaicos”, num mercado que oferece muitas alternativas e modalidades de pagamento. García considera, porém, que este tipo de apoios não estão pensados para todo o tipo de empresas”.

“Entendo que as metas devem ser, por definição, ambiciosas. Mas pode ter havido alguma falta de adesão à realidade no nosso país, quer no que diz respeito à dimensão do problema, quer quanto à capacidade nacional de o resolver em tão curto prazo de tempo. O tecido empresarial, nomeadamente a indústria, está naturalmente interessado na redução do consumo de energia, porque permite ou deveria permitir a redução dos custos de produção”, defendeu.

E acrescentou: “Está maioritariamente focado no seu core business. Se a eficiência do plano implica que os empresários deem parte da sua atenção à implementação de medidas de eficiência energética, julgo ser necessário criar um quadro de incentivos e penalizações e estabelecer mecanismos que permitam monitorizar a implementação dessas medidas. Saber onde estamos relativamente as metas, afinar trajeto e, se necessário, as próprias metas. E terá que haver também a necessária tolerância”, disse.

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