Empresas da Business Roundtable vão abrir espaços de ‘cowork’ no exterior para as PME

A medida faz parte de um conjunto de três ideias acertadas com a AICEP para dar músculo às pequenas e médias empresas portuguesas que querem internacionalizar-se ou exportar mais.

Cristina Bernardo

As pequenas e médias empresas que queiram internacionalizar-se (ou apenas exportar mais para mercados que ainda desconhecem) vão ter uma ajuda adicional, sob a forma de uma “mentoria” dos CEO das 42 empresas que compõem a Business Roundtable Portugal (BRP) ou espaços de cowork nas delegações que estas companhias têm no exterior.

As duas medidas fazem parte de um conjunto mais alagado de ideias que foram alvo de um protocolo assinado esta quarta-feira entre a Business Roundtable Portugal e a AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal.

Hoje foram conhecidas três delas. “Vamos avançar já com essas três, porque não vale a pena marcar mais do que três golos na primeira parte”, disse Filipe de Botton, CEO da Logoplaste, membro da BRP e, assumidamente, o homem que teve estas ideias e as apresentou à AICEP.

A primeira é a mais simples: somar 25 estágios do programa INOV-Contacto (financiado por fundos comunitários) aos 250 que a AICEP já disponibiliza. No entanto, estes 25 estagiários (recém licenciados portugueses que vão estagiar em empresas fora de Portugal) serão suportados financeiramente pelas empresas da BRP, ainda que através do AICEP, que seleciona os candidatos e continua a gerir todo o programa.

“Em Portugal, fazemos muitos estudos, mas fazer acontecer fica para segundo plano. E é mais fácil ter as ideias do que pô-las em prática”, explicou Filipe de Botton na apresentação do protocolo.

A ideia é pôr as empresas a “retribuir”, o conceito anglo-saxónico do “give back”.  “Não vamos pensar em sistemas fiscais e incentivos. O que podemos propor que faça a diferença no curto prazo?”, questionou o empresário.

“Por isso, vamos desde já criar, no mínimo, 25 estágios nas nossas empresas. Juntando mais 10% aos fundos comunitários que já aqui estão aplicados” no INOV-Contacto. E são, desde já, onze empresas da BRP a aceitar os estagiários internacionais.

A segunda ideia é algo que nem a AICEP alguma vez tentou. Na prática, traduz-se nos 42 CEO das empresas da BRP disponibilizaram duas a três horas do seu tempo, por ano, a reunir-se com CEO de pequenas e médias empresas que queriam internacionalizar-se ou exportar.

“Servirá para os CEO partilharem estratégias, dificuldades, angústias. E é meio caminho andado para evitar erros que já foram cometidos no passado, com dicas, sugestões”, explicou Filipe de Botton. As PME candidatas a estes encontros passarão por um filtro definido pela AICEP, sobretudo para atestar o propósito do encontro (evitar que seja uma mera sugestão de negócios conjuntos) ou para evitar incompatibilidades de concorrência (mesmo sector ou área de atuação).

“Será sobretudo para fazer um matching de mercado”, completou o presidente do AICEP, Luís Castro Henriques, salientando que o lugar de topo numa empresa “é muito solitário” e nas PME “ainda há menos parceiros para fazer estas conversas”, um para um. Filipe de Botton sublinhou que as 42 empresas da BRP se comprometeram a receber os responsáveis das PME e sempre ao nível de CEO.

A terceira ideia é a de disponibilizar um espaço de cowork no exterior às empresas que queiram internacionalizar-se ou exportar para novos mercados. “Imagine que uma empresa quer ir para os EUA. A Logoplaste tem um escritório em Chicago e pode ceder um espaço para uma empresa por três, seis meses ou mesmo um ano”, disse Filipe de Botton. Para já, as empresas da BRP já disponibilizaram 50 destes espaços em 20 países diferentes.

“Não é só um espaço onde vem amanhã, instala-se e faz o seu trabalho. Não é só uma secretária. Se precisar de saber como se inscreve na Segurança Social, os nossos recursos humanos daquela localização pode ajudar. Se precisa de um advogado, podemos dizer com quem trabalhamos. Ou comprar uma máquina fotocopiadora, podemos ajudar”, exemplificou o CEO da Logoplaste.

Relacionadas

“Exportações portuguesas vão passar os 100 mil milhões de euros em 2022” – AICEP

Este número representa mais de 45% do PIB português, indicou o presidente da agência para o comércio externo, Luís Castro Henriques, no decorrer da assinatura de um protocolo com a Business Roundtable Portugal.
Recomendadas

Manuel Champalimaud compra à Novares a área de injeção de plásticos para a indústria automóvel

A aquisição visa reforçar posição do Grupo Champalimaud no sector dos componentes de plástico decorativo e de interface para a indústria automóvel.

PremiumAmazon diz que “continua a fazer investimentos” de cloud em Portugal

A empresa norte-americana de computação na nuvem Amazon Web Services (AWCS)está a desenvolver um centro de dados no país, mas não se compromete com uma data de abertura.

Sonae vende 50% da MDS à britânica Ardonagh e encaixa 104 milhões

A operação garante ao grupo português uma mais-valia de 79 milhões.
Comentários