Empresas de turismo “continuam frágeis financeiramente”

O presidente da APAVT – Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo, Pedro Costa Ferreira, elogia o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, mas não deixa de o alertar para o facto de que as “agências de viagens, os nossos hotéis, os nossos restaurantes, a nossa companhia aérea, continuam frágeis financeiramente”. Isto apesar de ser “público e […]

O presidente da APAVT – Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo, Pedro Costa Ferreira, elogia o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, mas não deixa de o alertar para o facto de que as “agências de viagens, os nossos hotéis, os nossos restaurantes, a nossa companhia aérea, continuam frágeis financeiramente”. Isto apesar de ser “público e notório que desde muito cedo”, Paulo Portas “percebeu que seria através do Turismo que o País daria os primeiros passos da tão ansiada retoma, razão pela qual lhe deve ser reconhecida a atenção e o carinho com que sempre acompanhou o setor”.

 As declarações foram proferidas no no discurso de abertura do 40.º Congresso da APAVT, que começou hoje em Évora. E Pedro Costa Ferreira continuou a enumerar as fragilidades do setor, explicando que “não devemos confundir números muito positivos, caracterizadores de enorme recuperação, com um setor sem problemas, integrado por empresas absolutamente saudáveis”.

Para o presidente da APAVT, as empresas “continuam com dificuldades de acesso a recursos financeiros, continuam sujeitos a uma atrocidade fiscal cujas causas, por mais razoáveis que possam ser consideradas, não mitigam em momento algum as consequências, aliás, nalguns casos agravadas por desigualdades tributárias, quer dentro da comunidade, quer no próprio País”.

Por outro lado, Pedro Costa Ferreira refere que se continua a “gerir uma procura interna constrangida, pouco dinâmica, necessariamente pouco amiga do crescimento” e, virando-se para Portas, que “os gastos em promoção têm retorno absolutamente incontestável e incontestado”.

Aquele responsável indicou ainda como causas para as fragilidades do setor do turismo a “guerra mundial de destinos absolutamente implacável; porque nenhum programa de apoio à retoma, e muito menos nenhum programa de apoio ao emprego ( e há por aí vários ) terá êxito sem que se motive o único motor de crescimento conhecido, o aumento da procura”. “Ora, é exatamente o que os programas de promoção de Portugal provocam – o aumento da procura”, realça.

Pedro Costa Ferreira avalia “positivamente o trabalho de promoção levado a cabo pelo Turismo de Portugal”, reconhece “nele ambição, adequação à realidade, bom senso e criatividade”, mas “também por essa razão, senhor vice-primeiro-ministro, reiteramos a reivindicação de mais verbas para a promoção. Cortar não é cortar a direito, deve incluir a transferência de verbas de aplicação menos rentável para verbas de aplicação mais rentável”. “Ora, pese embora o êxito dos sectores mais tradicionais, ainda ninguém encontrou maior efeito multiplicador, maior contribuição para o crescimento das exportações ou para a dinamização do emprego, do que a atividade turística. Seria uma pena que o último ano do mandato deste governo não revelasse esta convicção, através de medidas concretas de apoio – o Dr. Paulo Portas sabe que não seriam desperdiçadas”, afirma o presidente da APAVT, num discurso totalmente centrado num pedido de apoio a Paulo Portas.

Carlos Caldeira

 

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