Fórum: Empresas devem diversificar e inovar para criarem mais valor

Especialistas defendem a necessidade de vender vários produtos a diversos mercados para que desta forma seja possível valorizarem cada vez mais as suas marcas a nível internacional, ganhando desta forma uma escala maior.

1. De que precisam as empresas portuguesas para serem mais competitivas no exterior?

 

Luís Castro Henriques
CEO da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP)

1. Dois temas claros. O primeiro é continuar a rota da diversificação. Comecem na Europa, é o nosso mercado interno, é mais fácil; diversifiquem rapidamente na Europa; mas, quando essa aposta está ganha, comecem a pensar na diversificação para fora da Europa. É um desafio que tem sido debelado gradualmente sobretudo nas grandes exportadoras, mas temos de trazer isto a mais empresas. O segundo aspeto, e que acaba por estar ligado é perceber que a internacionalização implica a certa altura ganhar escala. A internacionalização tem de ser vista numa ótica de ganhar escala. Há neste aspeto um desafio grande que é o de trazermos as nossas PME e principalmente as ME a serem cada vez maiores. E isso trará resiliência, potenciará a diversificação – e depois, como temos visto, também potencia inovação. E cria outro ciclo virtuoso: apoia cada vez mais PME a entrarem neste jogo – quanto maior for a nossa rede nos mercados, maior será o resultado.

 

Luís Augusto
CEO do BNP Paribas Factor

1. Face ao contexto pandémico, o tecido empresarial português demonstrou uma forte resiliência, o que permitiu um contributo fundamental para a nossa balança de pagamentos externo. Contudo, ficam ainda alguns desafios por ultrapassar. A pandemia criou um novo quadro económico e concorrencial. Muitas incertezas ainda estão presentes no decorrer da pandemia, como o problema da liquidez das empresas portuguesas. O conflito Russia / Ucrania, o aumento do custo das matérias primas, a crise energética, a inflação e o aumento das taxas de juro agravam ainda mais este cenário de liquidez. Neste contexto, estima-se que aproximadamente 16% dos créditos tomados do PIB, ao qual se adiciona também o PRR(Plano de Resiliência e de Recuperação e Resiliência de Portugal) ainda têm problemas de liquidez(inclusive o prazo médio de pagamento do setor empresarial do Estado cresceu de 40 dias em 2019 para 65 em 2020). Face a esse problema, uma das soluções de apoio as empresas portuguesas passa pelo Factoring. A BNP Paribas Factor permite solucionar problemas de liquidez, garante uma fonte de financiamento à exportação, e age como garante do risco de falência dos devedores. A BNP Paribas Factor carateriza-se pela sua flexibilidade, rapidez e inovação, sendo uma das principais fontes de financiamento das PME nacionais, tornando-se uma das principais impulsionadoras do movimento de exportação para fora do espaço europeu (A BNP Paribas Factor é responsável por 25% desse financiamento). Além de dar segurança financeira às empresas portuguesas, permite também a estas últimas, fortificar a sua posição no mercado exterior, além de se tornarem mais competitivas no mercado internacional. Por outro lado, para que a manutenção da competitividade seja assegurada, as empresas deverão apostar em fatores como a capacidade de inovação (não só a nível dos seus produtos e serviços, mas também nos seus processos de forma a tornarem-se mais eficientes), na customização, e na valorização da sua marca no mercado internacional.

 

Teresa Carvalho
Responsável de Negócio Internacional do Santander Portugal

1. Apesar de termos atingido há poucos dias atrás o número de habitantes na Terra de oito mil milhões, conseguido em grande parte devido aos avanços da ciência, cujo exemplo mais recente foi o desenvolvimento de uma vacina em tempo record para controlar uma pandemia, o mundo é cada vez mais “pequeno”, mas o alcance das empresas tem que ser cada vez maior. Conceber uma empresa com um negócio virado apenas para o mercado doméstico não faz sentido, a não ser que se trate de alguns setores de nicho. Nas duas últimas décadas as exportações foram um dos maiores pilares do crescimento económico português e tudo se deve às empresas, aos seus acionistas, aos seus líderes e à sua visão, aos seus colaboradores e à resiliência, capacidade de execução e de adaptação de todos estes stakeholders. Assim como numa carteira de investimentos é preciso diversificar, numa empresa exportadora também é uma mais valia vender vários produtos em diferentes mercados. A pandemia trouxe muitos malefícios para a sociedade, mas também abriu novas possibilidades de fazer negócio: a digitalização acelerada de que fomos alvo permitiu-nos perceber que muitas das feiras realizadas e viagens de prospeção podem ser substituídas e com redução substancial de custos e tempo, pelo recurso aos meios digitais. O Santander disponibiliza aos seus clientes uma plataforma online, o Trade Club Alliance, que lhes permite aceder a informação sobre clientes, fornecedores ou distribuidores no estrangeiro e que inclui dados macroeconómicos, cambiais ou ainda simulações do cálculo dos custos totais associados a uma exportação. Exportar envolve mais riscos do que vender no mercado doméstico, mas, na maior parte das situações, também significa mais oportunidades. Existem riscos comerciais, políticos e cambiais que podem ser mitigados através de instrumentos financeiros disponibilizados pelos bancos para apoiarem o comércio internacional. Na oferta de produtos para apoio ao comércio internacional do Santander, o cliente exportador pode optar por garantir os seus recebimentos através da utilização de créditos documentários que cobrem o risco comercial ou político. Se a empresa exportar numa moeda diferente da sua, também disponibilizamos aos nossos clientes instrumentos de cobertura cambial como spots ou forwards que permitem a cobertura deste risco.

 

Ana García Fernandez
International Business Director, ETE Logística, Grupo ETE

1. Para a ETE Logística, empresa do GRUPO ETE, cuja atividade se centra na disponibilização de soluções logísticas e de transporte customizadas e de valor acrescentado, assumimos a logística integrada como um fator crucial para a competitividade das empresas portuguesas no exterior. O nosso know-how e competências adquiridas ao longo de muitos anos de experiência, criando e desenvolvendo soluções inovadoras e flexíveis que permitem assegurar com excelência, de forma integrada e à medida de cada cliente, um vasto conjunto de serviços de transporte e de logística, permite-nos afirmar a enorme relevância da logística integrada enquanto fator de competitividade das empresas portuguesas do setor dos bens transacionáveis no mercado internacional. Com efeito, a capacitação das empresas portuguesas com uma oferta de valor diferenciada e customizada, assente numa visão 360º da cadeia de distribuição e da cadeia de valor logística, com monitorização em real time, permite-lhes atuar com rapidez e eficácia nos mercados alvo. A disponibilização de ofertas logísticas e de transporte integradas, flexíveis, inovadoras e customizadas às necessidades de cada cliente por parte de operadores logísticos especializados, como é o caso da ETE Logística, permite ainda às empresas portuguesas atuarem do lado da otimização dos seus custos de estrutura, permitindo-lhes concentrar esforços e recursos no seu negócio core. Adicionalmente, a atuação das empresas portuguesas nos mercados externos com uma estrutura logística robusta e fiável de suporte, permite às empresas portuguesas assumirem-se nesses mercados como parceiros e agentes económicos fidedignos, profissionais e com uma elevada qualidade percecionada, facilitando a sua penetração e consolidação nos mercados internacionais. Por último, importa também referir a capacidade de assumir riscos, enquanto fator inerente à entrada de qualquer empresa em novos mercados. Para minimizar esses riscos é fundamental ter um conhecimento aprofundado dos mercados externos em causa e isso passa também por trabalhar as relações institucionais com entidades e organizações que possuam know-how nesses mercados e que, aliado à credibilidade das empresas, facilite o seu processo de penetração nessas geografias. Mais uma vez, operadores logísticos como a ETE Logística podem e devem atuar como parceiros e trusted advisors das empresas portuguesas nesses processos de abertura de novos mercados.

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