Empresas portuguesas cotadas aumentaram 5,2% os lucros no semestre

A campeã dos lucros entre as empresas cotadas é sem surpresas a EDP, com 450 milhões de euros de lucros no semestre. Segue-se a Galp Energia; a Jerónimo Martins; a EDP Renováveis e o BCP em quinto. Em termos de percentagem de subida de lucros no semestre a líder é a EDP Renováveis. Nas quedas a liderança cabe ao BPI, Mota-Engil e Impresa.

Reuters

O Caixa Banco de Investimento acaba de publicar uma análise às empresas portuguesas cotadas, para concluir que no primeiro semestre de 2017 as empresas portuguesas (integradas no PSI Geral e/ou no PSI 20) com cobertura ativa pelo CaixaBI, apresentaram um crescimento agregado do Lucro Líquido de 5,2% incluindo o setor bancário, para os 1.434,1 milhões de euros.

Excluindo os bancos BCP e BPI os lucros agregado das empresas cotadas caíram num ano 0,6% para 1.445,9 milhões de euros. Ou seja, os dois bancos, BCP e BPI ajudaram à subida dos lucros acumulados das cotadas

A campeã dos lucros entre as empresas cotadas é sem surpresas a EDP, com 450 milhões de euros de lucros no semestre. Segue-se a Galp Energia com lucros de 250 milhões de euros. No ranking o terceiro lugar é ocupado  pela Jerónimo Martins que viu os lucros atingirem os 173 milhões no semestre. Em quarto lugar surge a EDP renováveis com 134 milhões de lucros. Finalmente surge o BCP em quinto lugar com lucros de 89,9 milhões de euros. Se compararmos as percentagem de crescimento dos lucros face a junho de 2016 verifica-se que a maior subida foi registada pela EDP Renováveis (+127,5%), seguida da NOS (+41,1%). Isto sem contar com o BCP que passou de prejuízos a lucros de 89,9 milhões.

A maior queda coube ao BPI por causa dos vários efeitos não recorrentes (-145,3%), seguido pela Mota-Engil (-93,1%) e pela Impresa (-91,7%). Nos media a Cofina também viu os lucros caírem fortemente (-69,2% para 700 mil euros).

No setor bancário, os cotados BCP e BPI divulgaram uma perda líquida agregada no semestre de 11,8 milhões de euros em comparação com uma perda líquida de 91,4 milhões de euros no 1º semestre de 2016 (o que traduz uma melhoria de 87% em relação ao ano anterior). Os resultados do setor bancário foram penalizados pelos itens não recorrentes do BPI, a saber, os efeitos de alterar o método de consolidação da BFA no 1º trimestre de 2017 (-212 milhões de euros após impostos) e o custo do programa de reformas antecipadas e rescisões voluntárias (106 milhões de euros, dos quais 77 milhões de euros após impostos). A receita recorrente líquida do BPI foi de 188 milhões de euros no 1º semestre deste ano contra 105,9 milhões de euros no semestre homólogo (+ 77% em relação ao período homólogo) altura em que o setor bancário apresentou um lucro líquido agregado de 278 milhões de euros em vez de perda líquida de 11,8 milhões de euros, como aconteceu este ano em junho.

O EBITDA, uma métrica operacional, que mostra imediatamente se o negócio em causa tem a capacidade para gerar cash flow para pagar o financiamento da empresa, o serviço da dívida e os impostos, subiu nas empresas cotadas em termos agregados 2,3% face ao semestre homólogo de 2016 e excluindo o setor bancário aumentou 5,1%.

Segundo a nota do Caixa BI (Portugal Strategy Flash Note), no nível operacional, as receitas (vendas) agregadas das empresas portuguesas no 1º semestre apresentaram uma melhoria significativa (+ 12,1% numa base anual considerando todas as empresas e + 13,0% se excluímos o setor bancário). Esta performance foi apoiada por empresas como EDP Renováveis, Galp Energia, Ibersol, Jerónimo Martins, Mota-Engil ou Novabase, em parte explicadas por uma melhoria nas condições de mercado em termos de preços ou processos de consolidação realizados nos últimos trimestres. Destaca-se também o crescimento da receita da Jerónimo Martins no ano passado (+ 11,4% igual ou cerca de + 800 milhões de euros no 1º semestre de 2017 face ao 1º semestre de 2016), refletindo o Capex associado aos planos de expansão, principalmente no mercado polaco, mas também na Colômbia. A Sonae também apresentou um importante crescimento de vendas durante o ano passado (+ 7,1% ou + 172 milhões de euros).

O EBITDA Agregado acrescido do Lucro Operacional Líquido, excluindo provisões no caso dos bancos, aumentou 2,3% no 1º semestre de 2017 (+ 5,1% excluindo os BCP e BPI).

Durante os resultados do semestre as empresas portuguesas apresentaram valores em linha com as estimativas do CaixaBI, avança a nota. Para empresas com cobertura ativa, os Resultados Operacionais e o Lucro Líquido ficaram 1,1% e 2,3%, respectivamente, abaixo das estimativas dos analistas do banco de investimento. “Se excluímos o setor bancário, o desvio do EBITDA nas nossas estimativas foi de + 0,8% e o desvio do lucro líquido foi de + 9,6%”, diz o banco.

A lista de comparação do Caixa BI inclui 20 empresas. Para além de 15 das 17 empresas do PSI 20 (exclui UP do Montepio e Pharol da análise) inclui também a Novabase, Impresa, Cofina, Ibersol e BPI. Portanto ao todo estão contempladas 20 empresas nesta análise.

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