Energia dá impulso à Bolsa de Lisboa. Europa fecha no verde em dia marcado pela inflação

O mercado esperava que a inflação do IPC na zona do euro desacelerasse de 10,6% em Outubro para 10,4% em Novembro (variação anual). A leitura real mostrou uma desaceleração para 10,0% num ano. Os juros soberanos sobem. As ações também.

O PSI fechou em alta de 0,55% para 5.862,69 pontos com as ações das empresas de energia a liderarem. A EDP subiu +2,24% para 4,52 euros; a EDP Renováveis avançou +1,47% para 22,05 euros; a Greenvolt valorizou +2,82% para 8,03 euros; e a Galp disparou +1,68% para 11,79 euros. Noutro sector a Semapa ganhou +2,14% para 14,34 euros. A subida do preço do petróleo ajudou o sector. O Brent, referência na Europa, disparou 2,81% para 85,36 dólares o barril.

Nas perdas, a liderança coube à Corticeira Amorim que recuou -1,87% para 8,91 euros. No leque de seis títulos que fecharam em queda destaca-se ainda a NOS que perdeu -1,03% para 3,84 euros.

Na Europa o luxo destacou-se num dia verde europeu.

O EuroStoxx 50 subiu 0,77% para 3.964,7 pontos; o Stoxx 600 avançou 0,78%. O FTSE 100 ganhou 0,81% para 7.573,05 pontos; o CAC avançou 1,04% para 6.738,6 pontos; o DAX cresceu 0,29% para 14.397 pontos; o FTSE MIB valorizou 0,59% para 24.610,3 pontos; o IBEX fechou em alta de 0,49% para 8.363,2 pontos.

“As bolsas europeias encerraram em alta, no dia em que foi revelado que a inflação na Zona Euro desceu mais que esperado em novembro, fazendo acreditar que desta forma o BCE poderá tornar-se menos agressivo na subida de taxas de juro, o que poderia ser favorável aos mercados de ações”, revela o analista do Millennium BCP; Ramiro Loureiro na sua análise.

“Adicionalmente chegou a indicação de que os preços no produtor em França caíram em outubro pela primeira vez em cinco meses, numa base sequencial, denotando um abrandamento do ritmo de subida em termos homólogos. No seio empresarial o setor de bens de luxo esteve em destaque, com a LVMH a disparar mis de 5%”, destaca a MTrader. O sector “energético esteve igualmente animado pela recuperação nos preços do petróleo”, refere o analista do BCP.

Nas empresas destaque para a notícia que a H&M anunciou hoje que vai cortar 1.500 empregos devido à aplicação do plano de redução de custos, apresentado há dois meses, e ao aumento da eficiência, após a queda dos lucros ao encerrar o negócio na Rússia.

Em termos macroeconómicos, os dados sobre a inflação do IPC de novembro para toda a zona euro foram divulgados hoje e como é habitual, a divulgação surge depois de os dados dos países membros da UE já terem sido divulgados. O mercado esperava que a inflação do IPC na zona do euro desacelerasse de 10,6% em Outubro para 10,4% em Novembro (variação anual). A leitura real mostrou uma desaceleração para 10,0% num ano.

O euro cai 0,15% para 1,03 dólares.

No mercado de dívida soberana os juros das obrigações alemãs a 10 anos sobem 0,83 pontos base para 1,93%; Portugal viu os juros dispararem 3,54 pontos base para 2,87%. Também Espanha tem os juros em alta de 3,46 pontos base para 2,94% e Itália vê o juros agravarem 5,53 pontos base para 3,87%.

Apesar do feriado de 1 de dezembro em Portugal, os mercados estarão em normal funcionamento.

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