Eni discute segunda plataforma de gás com Moçambique

O diretor de operações de Recursos Naturais da petrolífera italiana Eni, Guido Brusco admitiu hoje poder vir a ser lançada uma segunda plataforma de produção de gás liquefeito ao largo de Moçambique, assunto discutido com o Governo.

“Existem oportunidades para aumentar a oferta no curto prazo, incluindo a possibilidade de replicar o sucesso do projeto Coral Sul com um novo desenvolvimento de FLNG (‘Floating Liquified Natural Gas’)”, ou seja, uma plataforma como a que este mês começou a exportar gás da bacia do Rovuma.

Isto, além de “desenvolvimentos ‘onshore’”, referiu, mas que têm sido adiados devido à violência armada na província de Cabo Delgado.

Guido Brusco falava em Pemba, à margem da inauguração oficial da plataforma Coral Sul pelo Presidente moçambicano.

Filipe Nyusi visitou hoje a infraestrutura que desde o início do ano ficou estacionada a 40 quilómetros da costa moçambicana e que há 10 dias começou a exportar gás liquefeito.

Apesar de a hipótese de uma segunda plataforma já ser ventilada há cerca de um ano (mesmo antes da guerra na Ucrânia), a declaração do dirigente da Eni realça a importância e oportunidade do investimento.

“O que está claro é que precisamos de agir rapidamente. Tudo está pronto para atingir essa meta: temos reservas comprovadas, tecnologia comprovada, equipe forte e comprometida, histórico de entrega alcançado com a plataforma Coral Sul e apoio do Governo”, destacou Guido Brusco.

“Continuaremos trabalhando em estreita colaboração com os parceiros e o Governo para avaliar todas as opções possíveis para desenvolvimentos adicionais”, concluiu.

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, confirmou as conversações e destacou a importância de novos desenvolvimentos para rentabilizar as reservas de gás do Rovuma, que estão entre as maiores do mundo, num momento em que a procura mundial cresceu.

A plataforma Coral Sul operada pela petrolífera italiana Eni em nome do consórcio da Área 4 de Moçambique vai produzir 3,4 milhões de toneladas de gás natural liquefeito (GNL) por ano para a BP (que comprou a produção por 20 anos).

O primeiro navio cargueiro de exportação foi carregado com GNL moçambicano em 13 de novembro.

Há outros dois projetos de maior dimensão aprovados para a bacia do Rovuma, liderados pela TotalEnergies (Área 1) e Exxon/Eni (Área 4), que podem produzir quatro a cinco vezes mais cada qual.

No entanto, estes preveem fábricas de liquefação em terra, na península de Afungi, e aguardam por decisões das petrolíferas para a construção avançar, face à insegurança na região.

A Área 4 é operada pela Mozambique Rovuma Venture (MRV), uma ‘joint venture’ em copropriedade da ExxonMobil, Eni e CNPC (China), que detém 70% de interesse participativo no contrato de concessão.

A Galp, Kogas (Coreia do Sul) e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (Moçambique) detém cada uma participações de 10%.

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