Erdogan e Putin podem encontrar-se em Sochi em agosto

O presidente russo Vladimir Putin e o seu homólogo turco Recep Tayyip Erdogan deverão estar a preparar um encontro em Sochi, estância balnear russa no Mar Negro, em 5 de agosto próximo. Entretanto, Israel também está com problemas diplomáticos com a Rússia.

Pavel Golovkin/EPA via Lusa (Pool)

A presidência turca, citada pela agência France Press, divulgou um comunicado onde afirma que o presidente do país, Recep Erdogan, deverá encontrar-se com o seu homólogo russo, Vladimir Putin, no próximo dia 5 de agosto, em Sochi, estância balnear – e zona de segunda residência dos mais ricos do país – do Mar Negro.

Os dois líderes realizaram a sua primeira reunião desde a invasão da Ucrânia pela Rússia à margem de uma cimeira sobre a Síria realizada em Teerã a 19 de julho passado – e já depois disso Ancara conseguiu um acordo com os russos para que a Ucrânia possa exportar a sua produção cerealífera.

Erdogan tentou colocar a Turquia – que mantém o diálogo tanto com Moscovo como com Kyev – no centro dos esforços diplomáticos para tentar interromper a guerra que já se arrasta há cinco meses. A Turquia trabalhou com as Nações Unidas para conseguir que os dois lados em conflito assinassem um acordo em Istambul, na semana passada, com o objetivo de retomar os embarques de grãos através do Mar Negro.

Na altura, Erdogan disse que estava à espera que a guerra durasse pouco tempo e que as duas partes concordassem em acabar com o conflito. Na altura, pareceram apenas palavras de circunstância, mas talvez a Turquia saiba mais que aquilo que é público.

A circunstância de a Turquia ser um país da NATO – mas no seu interior ser uma espécie de rebelde que nem sempre está alinhado com o pensamento oficial, como sucedeu quando comprou um sistema de defesa antiaéreo à Rússia – pode ser um bom motivo para Putin manter o diálogo com Erdogan.

Por outro lado, há outras afinidades, nomeadamente religiosas, que fazem com que os dois países tenham muito a ver um com o outro. É na Turquia que funciona o chamado Patriarcado Ecuménico da igreja Ortodoxa, que, apesar de oficialmente não ter nenhuma preponderância hierárquica sobre a igreja Ortodoxa russa – nem sobre a da Ucrânia – é uma voz que nenhum membro da organização deixa de ouvir. O que quer dizer que Putin tem todo o interesse, se quiser manter os ortodoxos russos do lado dos seus apoiantes, em não fazer nada que possa merecer a reprovação do Patriarcado Ecuménico.

 

Israel cauteloso

Entretanto, o primeiro-ministro israelita Yair Lapid – líder do governo demissionário – disse que os laços entre a Rússia e Israel “são baseados na herança comum” e que Tel Avive está sempre pronta para o diálogo. Esta tomada de posição surge numa altura em que há um desentendimento diplomático entre os dois países a propósito da Agência Judaica, responsável pela imigração para Israel.

Aparentemente, Moscou está a tentar fechar a agência. Segundo os jornais israelitas, o Kremlin diz que o fecho dos escritórios locais da agência que processa a imigração judaica para Israel não deve ser “politizado”, afirmando que se trata de uma questão puramente legal: um tribunal de Moscovo deliberou na semana passada que o Ministério da Justiça russo solicitou a “dissolução” da Agência Judaica por causa de violações legais não especificadas.

“A situação não deve ser politizada ou projetada na totalidade das relações russo-israelitas”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, em conferência de imprensa. “Há questões do ponto de vista do cumprimento da lei russa e esta situação deve ser tratada com muito cuidado”, afirmou.

Lapid, até há poucas semanas ministro dos Negócios Estrangeiros, disse que “as relações Israel-Rússia são baseadas em heranças, entendimento contínuo e interesses mútuos. A comunidade judaica [na Rússia] é central para essas relações”.

Citado pelo jornal “Times of Israel”, Lapid disse que “se surgirem questões legais em relação à importante atividade da Agência Judaica na Rússia, Israel, como sempre, está pronto e disposto a dialogar sobre o assunto, mantendo as importantes relações entre os países”.

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