Escócia volta a agitar a bandeira da independência

O primeira-ministra do governo autónomo vai propor a realização de um referendo durante a campanha para as eleições de maio próximo. Se ganhar, irá realizá-lo. E espera com isso poder voltar à União Europeia.

Prometia ser a maior dor de cabeça do primeiro-ministro britânico Boris Johnson logo a seguir ao Brexit – depois veio a pandemia, o Brexit ainda não chegou ao fim, mas o independentismo da Escócia não esmoreceu: em entrevista conjunta (entre eles o espanhol El Pais), a chefe do governo autónomo, Nicola Sturgeon, diz que “assim que a pandemia terminar, a Escócia deve decidir o seu futuro”.

Nicola Sturgeon (de 50 anos) manteve intacta ao longo da pandemia a confiança dos seus concidadãos: não hesitou em divergir das decisões do governo Boris Johnson quando considerou necessário e aplicou restrições sociais mais pesadas na Escócia. Agora, terá eleições regionais em maio, e seu partido, o SNP, regressa à promessa de realizar um novo referendo sobre a independência. E maio é, recorde-se, o mês seguinte ao de fevereiro – data em que a Catalunha também irá a eleições.

As últimas sondagens atribuem uma clara maioria aos partidários da separação, para a qual contribuíram o resultado de um Brexit que a Escócia nunca apoiou e a gestão errático da pandemia pelo governo de Londres. Sturgeon compareceu a cinco meios de comunicação europeus na última quarta-feira por videoconferência, incluindo EL PAÍS.

Nicola Sturgeon recordou que a Escócia não se revê no Brexit, o que implica “o aumento da importância de a Escócia desempenhar um papel relevante na Europa e no mundo e reforça a necessidade de ser um país independente”. A primeira-ministra disse que “ordenei uma pausa nos planos para o referendo” por causa da pandemia, mas assegura que “quando sairmos desta pandemia, a necessidade de sermos capazes de decidir o nosso futuro será o mais importante. Porque todos os países do mundo fazem a mesma pergunta: para onde queremos ir quando nos recuperarmos? É essencial que a Escócia enfrente essas questões e tome as suas decisões”.

“Acho que qualquer verdadeiro democrata, seja Johnson ou qualquer outro primeiro-ministro, deve permitir o processo. É o povo escocês que deve decidir o seu futuro, não eu ou Boris Johnson”, enfatizou. “Se Londres decidisse recusar, se Westminster [a sede do Parlamento do Reino Unido] decidisse bloquear a democracia, poderíamos ir a tribunal para ver se o Parlamento escocês tem capacidade para aprovar um referendo ele mesmo. Não é algo que seja descartável”.

Nicola Sturgeon disse, neste quadro, que, “se dentro de cinco meses o SNP vencer as eleições [com a proposta de um novo referendo] e alguém se recusar a aceitar esse resultado, o único árbitro legítimo para decidir se a Escócia deve ser independente é o povo escocês”. “Já estamos fora da União e contra nossa vontade. Mesmo que demore um pouco, será bom para nós regressarmos à família europeia”, concluiu.

Recomendadas

Rússia apoderou-se formalmente da central nuclear de Zaporijia

A central de Zaporijia, a maior central nuclear da Europa, está nas mãos das tropas russas desde o início de março.

Primeira-ministra dinamarquesa convoca eleições antecipadas para novembro

O Partido Social Liberal, uma das formações que dá maioria ao Governo social-democrata, tinha ameaçado Frederiksen com uma moção de censura se não convocasse eleições, após apresentar em junho um relatório crítico sobre a gestão feita pelo executivo em relação ao abate de milhões de visons, devido a uma mutação do coronavírus.

Prémio Nobel da Química para 3 cientistas responsáveis química ‘bioorthogonal’

O termo química ‘bioorthogonal’ refere-se a qualquer reação química que pode ocorrer dentro de sistemas vivos sem interferir nos processos bioquímicos nativos. O termo foi cunhado por Carolyn R. Bertozzi em 2003.
Comentários