Escritor angolano Ondjaki considera que audiência de Presidente com ativistas é “bom sinal”

O escritor angolano Ondjaki considerou que a audiência de hoje do Presidente de Angola com ativistas como Luaty Beirão e Rafael Marques é vista como um “bom sinal” de mudança no país.

José Sena Goulão / EPA

“Eu não sei o que se vai passar, mas penso que é um bom sinal que finalmente um Presidente da República, normalmente, sem grandes escândalos, receba para ouvir ativistas que são reconhecidos dentro e fora do país pelo seu trabalho de direitos humanos” disse Ondjaki, em declarações à agência Lusa no final de um evento em Nova Iorque.

A Presidência da República de Angola emitiu na segunda-feira um comunicado a informar que irá receber hoje representantes de cerca de uma dezena de instituições ligados à defesa dos direitos humanos, desenvolvimento rural, direito e promoção da juventude.

O escritor e artista, que mora atualmente em Angola, considerou que grande parte da população angolana “reconhece que o atual Presidente está a fazer um esforço muito grande, com as barreiras que tem”.

Ondjaki referiu também que o partido Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), liderado por João Lourenço desde setembro, tem “problemas graves, nomeadamente no campo da corrupção, no campo da má governação e dos direitos humanos” e que a nova presidência demonstra querer contrariar.

“Parece-me que é interessante que o Presidente da República, que é do partido MPLA, está a tentar contrariar a máquina do partido e a máquina que se instalou no país”, acrescentou Ondjaki.

Os ativistas Rafael Marques e Luaty Beirão são alguns dos líderes de organizações da sociedade civil e não-governamentais que serão recebidos terça-feira pelo Presidente de Angola, João Lourenço, para analisarem “questões da atualidade”, refere hoje um comunicado oficial.

O ‘rapper’ Luaty Beirão é um dos 17 ativistas detidos em 2015 por contestarem o regime angolano, e que chegou a estar preso durante vários meses – tendo cumprido, em protesto, 36 dias de greve de fome na cadeia, enquanto Rafael Marques investiga casos de corrupção envolvendo a elite angolana.

Numa nota de imprensa, a Casa Civil do Presidente da República angolana adianta que estarão igualmente presentes representantes de cerca de uma dezena de instituições ligados à defesa dos direitos humanos, desenvolvimento rural, direito e promoção da juventude.

Entre outros, a nota refere que, no encontro, deverão também participar Fernando Macedo, pela Associação Justiça, Paz e Desenvolvimento (AJPD); Salvador Freire, pela Associação Mãos Livres, e José Patrocínio, pela OMUNGA.

Outras associações com participação confirmada na audiência coletiva são também o Centro Cultural Mosaico, a Ação para o Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA), a AMANGOLA e os Conselhos Nacional e Provincial da Juventude.

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