ESG no imobiliário: o que as organizações devem considerar

Nas maiores empresas, esta abordagem de integração estratégica está a ser encarada como um imperativo de negócio para criar valor a longo prazo.

A Sustentabilidade será o principal driver de mudança no sector imobiliário. Uma abordagem de negócio que integra questões ambientais, sociais e de governance será fundamental para criar valor a longo prazo.

As ações da maioria das empresas do sector imobiliário em matéria ambiental, social e de governance (ESG) têm-se centrado em iniciativas ocasionais de cariz social ou ambiental e divulgações voluntárias — mas, a matéria ESG deve ser vista como um catalisador de mudança a longo-prazo, e ser utilizada para repensar prioridades estratégicas, processos empresariais, riscos e oportunidades.

Nas maiores empresas, esta abordagem de integração estratégica está a ser encarada como um imperativo de negócio para criar valor a longo prazo para todos os stakeholders, incluindo colaboradores, clientes, acionistas e a sociedade em geral.

Os tópicos que se seguem devem ser equacionadas no processo de construção de uma estratégia ESG, que permita às empresas do sector imobiliário aumentar a sua resiliência e competitividade no mercado, abandonando definitivamente uma abordagem reacionária e pouco criadora de valor.

a) Conhecer os stakeholders internos e externos que são mais relevantes para o sucesso da organização, tendo em atenção as várias forças do mercado e da sociedade. Neste setor, conhecer as visões de stakeholders como as comunidades locais, clientes e setor público são determinantes para o sucesso de uma estratégia de negócio.;

b) Identificar os assuntos ESG que são mais relevantes e que requerem investimento estratégico prioritário. Temas ESG como a adoção de soluções de construção mais ecológicas, a saúde e segurança dos trabalhadores e a transparência na cadeia de valor têm sido críticos para a criação de valor a longo prazo;

c) Estabelecer os objetivos e as métricas de performance ESG. A mensuração da performance face aos objetivos é fundamental para se demonstrar o sucesso da estratégia aos stakeholders;

d) Criar uma estrutura de governo para gerir os processos relevantes da estratégia ESG. A gestão do plano ESG deverá ser feita por uma equipa multidisciplinar e transversal na organização para potenciar a eficácia;

e) Criar um plano de comunicação e mecanismos de avaliação da efetividade desse plano junto dos principais stakeholders.

Em resumo:
Uma estratégia de integração ESG eficaz baseia-se num entendimento claro das necessidades e expetativas dos principais stakeholders, a nível interno e externo, que são depois priorizadas em função da materialidade do seu impacto.

Estabelecer objetivos mensuráveis de desempenho ESG, articulados com os processos de monitorização já existentes e suportados por uma estrutura de apoio organizacional que faça a gestão das iniciativas é fundamental para garantir o sucesso da estratégia.

Os requisitos legais de reporte de informação ESG estão a empurrar as organizações a tomar uma ação proativa sobre o tema e a criar um plano de comunicação que seja credível e relevante.

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