ESG. PwC alerta que “há um longo caminho a ser percorrido” pela banca, mas indica soluções

Os desafios da ESG são múltiplos e vão desde a complexidade técnica à gestão de riscos de longo prazo, passando pela ausência de informação e pela adaptação dos modelos de negócios. Conheça as soluções.

Cristina Bernardo

No Fórum Banca 2022, promovido pelo Jornal Económico e a PwC esta sexta-feira, na Fundação Calouste Gulbenkian, a consultora alertou que “há um longo caminho a ser percorrido” pela banca no que toca ao ESG (Environmental, Social e Governance) e à promoção de estratégias de investimento e financiamento ‘verdes’.

Luís Filipe Barbosa partiu da premissa de que o sector financeiro tem estado muito focado em posicionamento, comunicação e iniciativas internas, e com avanços limitados nos aspetos críticos para a transição da economia.

O líder de serviços financeiros nota que as abordagens de comunicação e gestão de imagem têm contribuído para o aparecimento de riscos sistémicos nos mercados financeiros. “Isso traz o risco de proteção futura, esperemos que não seja muito significativa”, salvaguarda.

Os desafios da ESG são múltiplos.

No que toca à complexidade técnica, a solução passa por todos os sectores conhecerem os elementos da sua atividade, bem como as alterações e os custos a que a transição obrigará. Em concreto, é importante investir em literacia, especialmente nas áreas comerciais, que têm de manter o diálogo, mesmo não sendo necessário serem especialistas; enquanto a área da sustentabilidade tem de estar virada para as carteira de crédito e de investimento, e tem de saber comunicar internamente. Adicionalmente, devem-se introduzir novas lógicas de segmentação dos clientes para criar valor.

Já sobre a necessidade de adaptação, os gestores bancários têm agora de estar atentos e gerir as métricas de sustentabilidade, em adição às tradicionais e inerentes à sua atividade como capital, rentabilidade e liquidez. Nuno Cordeiro explicou que, nos próximos anos, vai haver um impacto do modelo de negócio decorrente da necessidade de aproximar a média portuguesa de rácios como o GAR% e o BTAR%, o que implica esforço financeiro.

As soluções passam por conhecer melhor os clientes, através do estabelecimento de estratégias de alinhamento que criem um balanço numa lógica de apoio à transição, mas também da criação de novas variáveis de decisão relativas aos riscos de transição dos clientes e à viabilidade de adaptação do seu modelo de negócio. O diretor da PwC defendeu dar nova importância a Covenants, mas também adaptar a oferta e customizar os serviços de forma a que o ESG se torne “um serviço que suporta lógicas de preço com valor”.

Luís Filipe Barbosa destacou a importância dos dados e da informação, pois são estes que “suportam a máquina de quantificação, projeção e interpretação dos resultados”. O problema, indica, é que há e vai continuar a haver uma ausência de informação porque as microempresas em Portugal não têm obrigação de reporte de ESG. Assim, defende como solução que se devem trazer as necessidades de informação para o modelo de originação, antecipando requisitos, adaptando processos, e introduzindo  novas tecnologias e digitalização.

Outro desafio importante, aponta Nuno Cordeiro, é a gestão de riscos de longo prazo. Contudo, acredita que “não será uma lógica de corrida ao verde, mas de suportar a transição dos clientes”. “Isto significa que as instituições bancárias continuarão a desenvolver novos negócios junto de clientes que hoje sabemos que não estão alinhados e precisam de fazer esse caminho”, esclarece.

A solução, argumenta o diretor da PwC, passa por novas “abordagens que coloquem a gestão de risco ao serviço do negócio”, nomeadamente através da avaliação individual do risco, da sua quantificação e monitorização . Mas Nuno Cordeiro destaca a importância dos modelos de negócio e de projeção financeira, com foco na compreensão dos planos de transição dos clientes.

Os dois especialistas reforçaram a importância do estabelecimento e reforço de parcerias e cooperação, na áreas de literacia de negócios, mas sobretudo na troca de informações e dados. “As necessidades e dificuldades de informação são transversais ao setor financeiro”, sustenta Luís Filipe Barbosa, que acredita que estarão em breve disponíveis em novas plataformas e serviços sinergias e economias de escala.

Luís Filipe Barbosa afirma, em jeito de conclusão, que “a pandemia não alterou a importância das matérias ESG” e espera que esta guerra também não o faça.

“A banca é fundamental e terá papel dinamizador. Mas isto será um jogo conjunto com o tecido empresarial, com as empresas a ter de perceber que vamos estar inseridos numa nova dinâmica”. disse. Em concreto, as pequenas e médias empresas vão ter um maior contributo para esta transição, defende a PwC.

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