Esgrimem-se argumentos mas a greve da TAP continua agendada

O presidente do Turismo de Portugal, João Cotrim de Figueiredo, considera que a greve de quatro dias na TAP põe “os interesses particulares à frente dos interesses coletivos”, considerando que o setor vai “certamente ser prejudicado”. “Não me quero meter naquilo que é uma disputa laboral entre sindicatos e empresa, mas se os motivos forem […]

O presidente do Turismo de Portugal, João Cotrim de Figueiredo, considera que a greve de quatro dias na TAP põe “os interesses particulares à frente dos interesses coletivos”, considerando que o setor vai “certamente ser prejudicado”.

“Não me quero meter naquilo que é uma disputa laboral entre sindicatos e empresa, mas se os motivos forem a oposição mais ou menos abstrata ao projeto de privatização da empresa, sem o conhecer, e se isso resulta numa greve de quatro dias, só pode significar que a defesa de uma ideia particular está a prejudicar não só todos os portugueses que nessa altura do ano se deslocariam para o estrangeiro como muitos estrangeiros que gostariam de se deslocar a Portugal nessa altura”, disse João Cotrim de Figueiredo, à margem das Jornadas de Empreendedorismo, a decorrer em Lisboa.

Em declarações à Lusa, o presidente do Turismo de Portugal considerou que “não é bom quando os interesses particulares se põem à frente dos interesses coletivos”.

Os 12 sindicatos que representam os trabalhadores da TAP, entre os quais os pilotos, decidiram na quarta-feira avançar com uma greve de quatro dias, entre 27 e 30 de dezembro.

O responsável adiantou que as taxas de ocupação estão “altíssimas no Natal e no Ano Novo”, realçando que no Ano Novo já é habitual, enquanto no Natal “é um fenómeno relativamente recente”.

“O número total de lugares [de transporte aéreo] vai-se reduzir e vamos certamente ser prejudicados”, acrescentou.

Num comunicado conjunto, a plataforma que reúne os 12 sindicatos da TAP referiu que a greve tem como objetivo “sensibilizar o Governo para a necessidade de travar o processo de privatização”.

“As garantias invocadas pelo Governo, até este momento, não são credíveis, nem eficazes. O interesse nacional não é salvaguardado. Não há urgência em privatizar, tal como o ministro da Economia transmitiu no passado dia 5 de dezembro, na Assembleia da República”, adianta o comunicado da Plataforma Sindical da TAP, divulgado na quarta-feira após uma Assembleia-Geral do Sindicato dos Pilotos de Aviação Civil.

Já hoje, o ministro da Economia, António Pires de Lima, afirmou à lusa que está agendada para sexta-feira uma reunião no ministério com os sindicatos da TAP, rejeitando fazer um comentário sobre a convocação da greve para a quadra do Natal.

Pires de Lima, que se encontra em Boston, nos EUA, disse que “há uma reunião marcada desses sindicatos no Ministério da Economia com o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, e onde ele próprio procurará estar para ouvir os sindicatos, perceber as motivações desta greve que foi anunciada”.

 

OJE/Lusa

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