Espanha e Alemanha reúnem-se em cimeira pela primeira vez desde 2013

Espanha e Alemanha celebram na quarta-feira a primeira cimeira bilateral em nove anos, que coincide com um momento de sintonia entre os dois executivos em projetos como o do gasoduto para ligar a Península Ibérica à Europa central.

Reuters

A XXV Cimeira Hispano-Alemã está agendada para quarta-feira, na Corunha, Galiza, e dela sairá um “plano de ação” de cooperação bilateral que envolve todos os ministérios dos dois Governos, assim como uma declaração conjunta, segundo disseram fonte do executivo espanhol.

Será a primeira reunião entre os executivos dos dois países com o formato de cimeira, em que estarão diversos ministros dos dois lados, desde 2013, apesar de ao longo dos anos ter havido encontros ao nível de chefes de Governo, realçaram as fontes do executivo de Madrid.

Segundo as mesmas fontes, o encontro servirá para reforçar e mostrar as boas relações atuais entre Madrid e Berlim, depois da visita do primeiro-ministro alemão, Olaf Scholz, a Madrid, no início deste ano, e da ida do chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, à Alemanha, em 30 de agosto, onde participou numa reunião do Conselho de Ministros.

Nesse dia, Espanha e Alemanha reiteraram a necessidade de acelerar as ligações para transporte de energia entre a Península Ibérica e o resto da Europa, com o líder do Governo alemão a garantir que fará “o possível” para que se concretizem.

Olaf Scholz defendeu ser necessário avançar com a “grande tarefa” de construir e reforçar a rede europeia de ligações energéticas, tanto ao nível da eletricidade, como do hidrogénio, no futuro, mas também, e de forma mais urgente, do gás, para tornar a União Europeia (UE) menos dependente do gás russo.

A Alemanha fará “o possível” para concretizar os projetos relacionados com as interconexões europeias de energia e para que se aproveitem mais as capacidades e possibilidade de Portugal e Espanha nesta matéria, disse Olaf Scholz.

Pedro Sánchez, por seu turno, reiterou que Portugal e Espanha pedem há anos que se acelerem as ligações para transporte de energia entre a Península Ibérica e o resto da Europa e que se o projeto do gasoduto dos Pirenéus “não se desenvolver ao ritmo adequado”, por obstáculos colocados por França, a própria UE definiu “outra possibilidade”, que é a de uma ligação com Itália.

A Península Ibérica, por falta de ligações para transporte de energia ao resto da Europa, funciona como uma “ilha energética” e tanto Portugal como Espanha fizeram investimentos nesta área que criaram infraestruturas que agora poderiam ser usadas para fornecer outros países europeus.

Essas “capacidades de regaseificação” europeia disponíveis na Península Ibérica não podem ser usadas “de maneira total e completa” por falta de gasodutos e “é isso que é preciso resolver, seja por França, seja por Itália, mas Espanha está disposta a ser solidária e a responder à chamada” de países como a Alemanha “que estão a sofrer a chantagem de Putin”, disse Sánchez, numa referência ao Presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Scholz convidou Sánchez para estar num Conselho de Ministros do Governo alemão depois de ter defendido publicamente no dia 11 de agosto a construção de um gasoduto pan-europeu, que ligue a Península Ibérica, desde Portugal, à Alemanha.

Face às resistências francesas a um novo gasoduto nos Pirenéus, o Governo espanhol tem defendido que o debate não é uma questão estritamente bilateral entre Espanha e França e que tem de ser abordada no seio da União Europeia.

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