Espanha regista o dobro da inflação face a Portugal devido a preços da energia

A inflação regista níveis superiores em Espanha aos de Portugal.

As diferenças entre os preços da gasolina e eletricidade são as principais razões apontadas por Espanha para justificar o dobro da inflação face a Portugal, de acordo um artigo divulgado pelo jornal “El Economista” esta terça-feira, 14 de dezembro.

No país vizinho a inflação atingiu os 5,4% e 5,6% nos meses de outubro e novembro, respetivamente, enquanto que em Portugal fixou-se nos 1,8% e 2,6% no mesmo período.

Os indicadores de Espanha revelam que em outubro, dos 5,4% de inflação, 4,1 pontos percentuais (p.p) corresponderam a energia, 0,6 p.p a serviços, 0,4 p.p a alimentos, álcool e tabaco e 0,2 p.p a bens industriais não energéticos, onde se incluem também a roupa, calçado, livros, carros, móveis ou eletrodomésticos.

Em contrapartida o artigo aponta que no mês de outubro, os 1,8% de inflação em Portugal ficou divido em 1.08 p.p para a energia, 0,5 p.p em serviços, 0,1 p.p para alimentação, álcool e tabaco e 0,07 p.p para os bens não energéticos, ou seja mais de três pontos da diferença entre a inflação portuguesa e espanhola dizem respeito à energia.

Em relação à eletricidade os espanhóis indicam também que em Portugal boa parte dos preços são controlados pelo Estado através da Entidade Reguladora dos Serviços de Energia (ERSE), que estabelece um preço fixo durante o ano, embora possa ser revisto a meio do ano.

Outro dos factores apontados para explicar esta diferença de inflação prende-se com os preços dos combustivéis que segundo o artigo do “El Economista” registaram um aumento homólogo de 30% em Espanha, enquanto em Portugal ficou nos 20%.

Espanha destaca que em Portugal existem impostos especiais de consumo consideravelmente mais elevados sobre os dois tipos de combustível (gasolina e diesel) o que leva muitos portugueses a abastecerem os seus veículos no outro lado da fronteira. Contudo, estes impostos não são uma percentagem do preço final (como é o caso do IVA), mas representam um valor fixo para cada litro.

Ou seja, o preço final de cada litro é composto por mais 64% de impostos, de forma a que a elevação do preço do petróleo não influencie tanto o preço final quer da gasolina, quer do diesel, reduzindo assim o impacto sobre a inflação deste componente.

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