Espanha: PP perto da maioria absoluta na Andaluzia

Com eleições regionais no próximo domingo, o ‘efeito’ Alberto Núñez Feijóo está a levar a um enorme crescimento nas intenções de voto no Partido Popular. Os socialistas não conseguem avançar e a esquerda mais radical está em dificuldades.

A menos de uma semana das eleições na Andaluzia, Espanha, que decorrem no próximo domingo, o Partido Popular agora liderado pelo galego Alberto Núñez Feijóo está, segundo várias sondagens, muito próxima de conseguir a maioria absoluta. Se os votos o confirmarem, o atual presidente, Juan Manuel Moreno, sairá reforçado, com a esquerda a ser subalternizada e a extrema-direita do Vox a conseguir uma pequena melhoria da sua posição relativa.

O PP, que tem sentido a diferença de uma liderança que não só não sofre qualquer contestação como mantém o diálogo com as outras tendências internas, parece ser a causa para aquilo que as sondagens declaram ser uma grande mobilização para a participação nas eleições: 63% dos andaluzes dizem que vão votar, o que significaria mais seis pontos percentuais que nas anteriores eleições, de 2018, as mais ‘abandonadas’ de sempre na autonomia.

Num parlamento com 109 lugares (maioria absoluta aos 55), as sondagens apontam para que o PP consiga 48 lugares (mais 22 que aqueles que tem no atual parlamento regional), 33 para o PSOE (os mesmo que tem), 18 para Vox (mais 6), 7 para coligação Pela Andaluzia e 3 para Adelante Andalucía (estes dois últimos somaram 17 deputados há quatro anos, quando correram juntos). Como tem vindo a ser corrente em toda a Espanha, o Ciudadanos, com 21 deputados atualmente, pura e simplesmente desaparece. Os estudos de opinião apontam para que o PP recupera quase metade dos votos do Ciudadanos.

A esquerda não pára de repetir que só uma grande mobilização poderá deter a direita. O caso é mesmo esse: se o PP acabar por não conseguir chegar à maioria absoluta, uma parte dos eleitores ficará satisfeita com uma coligação entre os populares e o Vox.

Mesmo assim, no conjunto, o grupo dos que gostariam de um governo de esquerda (30,6%) supera o dos comprometidos com o pacto PP-Vox (27,6%). Um hipotético acordo entre PP e PSOE teria o apoio de apenas 16,7% do eleitorado socialista.

Impossível é manter os resultados dentro do perímetro da comunidade andaluza. E, segundo os analistas, o que estes resultados indicam são pelo menos quatro certezas. A primeira é a evidência de que o Ciudadanos está em fase de desaparecimento. O partido liderado por Inés Arrimadas está a desaparecer aos poucos e há muitos que lhe vaticinam a morte política para breve.

Outra evidência é que o ‘fenómeno’ Feijóo está a surtir um efeito acima do esperado no PP. Um novo líder tem sempre a possibilidade de ‘puxar’ pelo partido e pelo comprometimento dos seus membros e dos seus apoiantes, mas a história do líder galego parece estar bem acima do que é normal.

A dificuldade de os socialistas liderados pelo chefe do governo, Pedro Sánchez, em saírem de um quadro de intenções de voto que não são nem boas nem más, parece indicar que o PSOE pode ter chegado ao fim de um ciclo. O contexto macro não ajuda e votações recentes noutras geografias indicam isso mesmo.

A quarta evidência aponta para a falência das propostas da esquerda mais radical, que já não ‘aliciam’ nem os votantes tradicionais (aqueles que votam por motivos ideológicos), nem o voto de desconfiança face aos partidos tradicionais.

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