O Partido Popular (PP, direita), atualmente na oposição em Espanha, ganhou as eleições municipais e regionais deste domingo na cidade e na região de Madrid com maioria absoluta, segundo uma projeção divulgada pelas televisões públicas do país.

De acordo com o mesmo estudo, feito à boca das urnas, o PP foi também o partido mais votado nas regiões da Comunidade Valenciana e de Aragão, mas sem maioria absoluta, e para tirar estes dois governos regionais ao partido socialista (PSOE), dependeria de uma aliança pós-eleitoral com a extrema-direita do VOX.

No entanto, nos dois casos, a projeção não é conclusiva sobre se a maioria absoluta se conseguirá com pactos entre os partidos de direita ou entre os partidos de esquerda.

Além de Madrid, que o PP já governava, mas sem maioria absoluta, as televisões públicas divulgaram projeções para mais três regiões espanholas em que houve eleições este domingo: Baleares, Castela La Mancha e Navarra, que são todas atualmente governadas pelo PSOE.

Segundo a projeção, o PSOE ganhou as regionais em Castela La Mancha com a possibilidade de manter a maioria absoluta que tem desde 2019.

Nas Baleares e em Navarra, mesmo não sendo o partido mais votado, o PSOE poderá manter-se à frente dos executivos regionais com a reedição das coligações atuais, embora, no segundo caso, dependendo, de novo, de uma abstenção do basco EH Bildu, a força política herdeira dos braços civis do grupo terrorista ETA que foram ilegalizados.

Quanto às municipais, a projeção das televisões públicas espanholas prevê uma maioria absoluta do PP na capital espanhola, que o partido já governa, apesar de não ter sido o partido mais votado nas eleições anteriores, em 2019, tendo o autarca José Luis Almeida ficado à frente da câmara na sequência de acordos com outras forças de direita.

Para a segunda cidade espanhola, Barcelona, a projeção divulgada às 20h00 locais (19h00 em Lisboa) revelou um possível empate entre a atual presidente da câmara, Ada Colau, do partido de esquerda BComú, e o candidato socialista, Jaume Collboni.

Em Sevilha, a maior cidade que o PSOE governa atualmente em Espanha, a projeção dá a possibilidade de passar para as mãos da direita se houver um acordo entre PP e VOX.

Espanha teve eleições municipais em todo o país e regionais em 12 comunidades autónomas.

Estas eleições foram a primeira ida a votos este ano em Espanha, que tem também legislativas nacionais previstas para dezembro, no final de uma legislatura marcada pela primeira coligação governamental no país, entre o PSOE e a plataforma de extrema-esquerda Unidas Podemos.

Mais de 35,5 milhões de eleitores foram chamados a votar para os órgãos de governo de mais de 8.100 municípios.

Mais de 18,3 milhões desses eleitores foram, em simultâneo convocados para votar na eleição de 12 parlamentos regionais.

Nas 12 comunidades autónomas em que houve eleições, o PSOE lidera os governos regionais de nove (Aragão, Astúrias, Baleares, Canárias, Castela La Mancha, Comunidade Valenciana, Extremadura, Navarra e Rioja); o PP de duas (Madrid e Múrcia) e o Partido Regionalista da Cantábria de uma (Cantábria).

Não têm eleição regional este ano Andaluzia, Castela e Leão, Catalunha, Galiza e País Basco.

As municipais, as eleições que este domingo se realizaram em todo o país, estão a ser vistas como um prenúncio das legislativas de dezembro, com o PSOE, à frente do Governo nacional desde 2018 e liderado pelo também primeiro-ministro Pedro Sánchez, a medir a sua resistência.

Já o PP elegeu um novo líder, Alberto Núñez Feijóo, há pouco mais de um ano que enfrenta o primeiro grande teste eleitoral e que transformou as eleições de domingo num referendo ao executivo nacional liderado pelos socialistas.

Além da disputa entre PSOE e PP, está também em causa verificar a dimensão do esperado avanço da extrema-direita do VOX na generalidade do país.