Esporão: uma herdade mais antiga que a maioria dos países

São raros os países mais antigos que a Herdade do Esporão no Mundo, pouco mais que uma dezena, incluindo Portugal. Esta herdade alentejana tem um percurso mais longo que Andorra (739 anos), a Suíça (726) ou o Mónaco (720), por exemplo.

Mandava no recente reino de Portugal o seu quinto monarca, D. Afonso III, de cognome ‘O Bolonhês’, com uma nação com 124 anos apenas, quando se decidiu delimitar a Herdade do Esporão que, por isso mesmo, comemorou este ano que agora termina 750 anos de história.

Para se perceber a dimensão do que estamos a falar, 124 anos não têm nos dias correntes a maioria dos países com assento na atual Assembleia Geral da ONU – Organização das Nações Unidas.

Aliás, a verdade é que são raros os países mais antigos que a Herdade do Esporão no Mundo, pouco mais que uma dezena, incluindo Portugal. Esta herdade alentejana tem um percurso mais longo que Andorra (739 anos), a Suíça (726) ou o Mónaco (720), por exemplo.

Esse longínquo ano de 1267 também foi marcado pela celebração do Tratado de Badajoz. Afonso X, de Castela renunciou às pretensões ao Algarve a favor do ainda Infante D. Dinis, pensando talvez que até lá o futuro rei-poeta-lavrador português iria sucumbir ao seu poderio. Se assim foi, em vão o fez.

Do lado lusitano, desistiu-se das reclamações sobre os territórios na região entre o Guadiana e o Guadalquivir.

Menos de 20 anos antes, já o reino de Portugal havia conquistado o Algarve, expulsando o poderio mouro de vários séculos, desde 711, para o outro lado do Mediterrâneo e aguçando a inveja de Castela.

Para se perceber o alcance de tal feito, os castelhanos só conseguiriam algo similar 243 a 244 anos mais tarde, com a conquista de Granada, supostamente a 2 de janeiro de 1492. Segundo outras fontes históricas, só em 1493.

A consolidação do controlo da dinastia afonsina sobre os territórios entre a margem sul do Tejo e o Algarve completa-se com D. Afonso III. No ano anterior à primeira delimitação da Herdade do Esporão, o monarca concedeu foral à cidade de Silves, firmando mais uma bandeira irreversível na Reconquista a sul do Tejo.

Atrás das batalhas e das conquistas, veio o enriquecimento, a burguesia. Nesse mesmo ano de 1267, deteta-se a primeira referência a mercadores portugueses na feira de Lille, no norte da Europa, atual Bélgica.

Conquista do território e fixação das populações eram os lemas máximos da dinastia inicada por D. Afonso Henriques.

É com base na nova conjuntura sócio-económica, que a partir desta recente área de influência do Estado português à data, junto à atual cidade de Reguengos de Monsaraz, se começa a erigir a história da Herdade do Esporão, com os seus 1.830 hectares de território, geradores de riqueza ao longo de séculos. Entre planícies e vales escavados por ribeiras, encontram-se 617 hectares de vinhas e outros 80 de olival.

“A história começa em 1267, quando os limites geográficos da Herdade do Esporão (inicialmente Defesa do Esporão) foram definidos e até hoje se mantêm praticamente inalterados. Soeiro Rodrigues, juiz da cidade de Évora, terá sido um dos primeiros proprietários, seguido do mestre de Santiago Rodrigues de Vasconcelos, do Morgado D. Álvaro Mendes de Vasconcelos e dos condes de Alcáçovas”, adianta um comunicado da Herdade do Esporão.

Segundo este comunicado, durante essa época, no centro da Herdade do Esporão, ergueram-se três monumentos históricos: a Torre do Esporão, o Arco do Esporão e a Ermida de Nossa Senhora dos Remédios, esta última ligada a um intenso e devoto culto popular na região.

“A Torre do Esporão, símbolo de afirmação na sociedade e exibição de poder militar, é uma das torres mais importantes na ilustração da transição da idade medieval para a idade moderna em Portugal”, explica o referido comunicado.

Em 1973, José Roquette, o actual proprietário, e Joaquim Bandeira compraram a Herdade do Esporão e iniciaram, juntos, “uma história que ainda hoje se escreve”.

“Em 1985, realiza-se a primeira colheita que acaba por dar origem à marca Esporão e ao primeiro vinho, o Esporão Reserva Tinto. Oito anos depois, começaram também a produzir azeites”, adianta o comunicado.

José Roquette afirma que “tem sido para a nossa família e empresa uma grande honra e responsabilidade cuidar da Herdade do Esporão, sítio tão antigo e rico na sua história”.

“Conscientes do impacto que o nosso projeto agrícola teve neste território, procuramos conservá-lo e, ano após ano, descobrir e partilhar a sua identidade no que produzimos, nomeadamente em cada garrafa de vinho e azeite que aí fazemos”, assegura aquele responsável.

O comunicado acrescenta que, “desde então, nasceram novas vinhas e renovaram-se antigas, aprendeu-se muito sobre a Herdade, cresceu-se em conhecimento, técnicas e em todo o trabalho desenvolvido no campo, até chegarmos, hoje, a uma agricultura biológica”, relembrando que, “na adega, aplicaram-se novas técnicas e construíram-se novas infraestruturas para elevar o nível dos vinhos do Esporão”.

“Comemoramos 750 anos de histórias, sobre os que por ali passaram, potenciando a beleza e recursos naturais deste magnífico território e construindo uma realidade que está hoje presente um pouco por todo o Mundo”, conclui o comunicado da Herdade do Esporão.

Há 750 anos, Reguengos de Monsaraz era um local estratégico para a afirmação da monarquia e da nação portuguesas, após a expulsão dos árabes e entre as refregas com os castelhanos, para dominar o território a sul do Tejo e junto à fronteira.

Hoje em dia, continua a ser estratégico pela valia das suas terras e dos respetivos produtos, em quantidade e qualidade crescentes, de que a Herdade do Esporão é um dos expoentes.

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