Esquerda mantém voto contra OE2022 e critica falta de apoios aos trabalhadores

“A inflação permite um brutal aumento da receita fiscal, mas o Governo decidiu não usar essa receita para apoiar quem trabalha e vê o salário comido pela inflação”, disse Catarina Martins no Parlamento. E Jerónimo de Sousa fez uma comparação direta desta proposta com a dos da Geringonça: “o tempo de conquista de direitos acabou mesmo”, declarou.

Tiago Petinga/LUSA

A esquerda parlamentar já tinha anunciado os seus votos contra o Orçamento do Estado para 2022 (OE2022) na generalidade e, no segundo dia de debate, tanto o Bloco de Esquerda como o PCP deixaram críticas à proposta do Governo. A coordenadora do Bloco, Catarina Martins, acusou o Governo de não usar a receita fiscal, fruto da inflação, para apoiar quem trabalha, e Jerónimo de Sousa insiste que Costa promove a acumulação de privilégios dos grandes grupos económicos em detrimento do povo.

“Lembram-se do orçamento que António Costa segurava para as câmaras no último debate eleitoral, previa o défice de 3,2%, no debate de hoje o ministro das finanças respondeu ao Bloco que o défice de António Costa previa há três meses era afinal uma irresponsabilidade”, sublinhou Catarina Martins.

Para a bloquista esta é “uma crítica que é também uma clarificação”. “A inflação permite um brutal aumento da receita fiscal, mas o Governo decidiu não usar essa receita para apoiar quem trabalha e vê o salário comido pela inflação, nem mesmo para responder aos enormes problemas dos serviços públicos essenciais”, frisou.

“O Governo vai usar receita suplementar para rever em baixa a meta do défice, ir além das metas europeias que hoje alias estão suspensas”,  destacou Catarina Martins, acrescentando que esta abordagem não representa “mudança de política”.

“Hoje com o conforto da maioria absoluta o PS arrisca a clareza”, salientou Catarina Martins que ao longo do seu discurso lembrou que os preços vão subir quatro vezes mais do que os salários.

O BE já tinha anunciado ontem, no primeiro dia de debate na generalidade, que ia votar contra. O líder parlamentar, Pedro Filipe Soares, justificou a rejeição do documento com o argumento de que o atual Orçamento “repete o mesmo diploma apresentado em outubro passado e que, já nessa altura, o Bloco de Esquerda considerou que não estava à altura das necessidades do país”.

Do mesmo lado da bancada, não muda o sentido de voto e o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, disse que o Governo “não responde às necessidades dos trabalhadores e do povo, dando exemplo da teimosia própria das maiorias absolutas”.

Aquilo que é mais grave: “pode-se esperar deste governo nos próximos quatro anos e meio a falta de respostas  dos trabalhadores e do povo e o recurso a qualquer pretexto para explicar a deterioração das condições de vida, enquanto promove a acumulação de privilégios e benefícios dos grandes grupos económicos”, acrescentou.

Apesar de a inflação estar neste mês nos 7,2%, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, e das previsões de que vai permanecer elevada até 2024, o Executivo insiste que é conjetural, lamenta Jerónimo.

Fazendo uma comparação direta desta proposta com a dos Orçamentos da Geringonça, declara perentoriamente: “o tempo de conquista de direitos acabou mesmo” e o PS não esteve naquele caminho por opção, subentendendo aqui as pressões dos partidos mais à esquerda,

“O país tem recursos e possibilidades para enfrentar a atual situação, assim houvesse vontade de meter em prática as políticas necessárias nesse sentido”, conclui.

Recomendadas

Covid-19: Linhagem BA.5 da variante Ómicron já é dominante em Portugal (com áudio)

A linhagem BA.5 da variante Ómicron tem apresentado uma frequência relativa “marcadamente crescente”, estimando-se que já seja dominante em Portugal, segundo dados divulgados na terça-feira pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

TAP fechou 2021 com menos 1.480 trabalhadores face ao ano anterior (com áudio)

No ano passado, os gastos da TAP com pessoal foram de 380,8 milhões de euros, um valor inferior ao de 2020, de 440,6 milhões de euros.

Especialistas divididos: há quem defenda regresso da máscara no interior, mas outros preferem o vírus a circular

Por um lado, o presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, Gustavo Tatto Borges, defende o regresso das máscaras no interior, Por outro, o virologista Pedro Simas diz que o vírus deve circular e que o aumento de infeções não é preocupante. 
Comentários