Está feito o plano para dar lucro à Caixa

A reestruturação do banco público vai passar pelo corte nos custos, “limpeza” de imparidades, juros baixos nos depósitos e venda de unidades no exterior.

Jose Manuel Ribeiro/Reuters

O plano de negócios para recuperar a Caixa Geral de Depósitos (CGD) e dar lucro ao banco estatal Estado assenta sobretudo no corte de custos e prevê um aumento da margem financeira doméstica de 400 milhões de euros até 2020.

De acordo com o “Jornal de Negócios”, os cidadãos cujas poupanças estejam no banco público vão ver o rendimento cair de 0,6% para 0,2%. Esta medida, e a que prevê que quem precisar de crédito vai pagar mais, deve render em conjunto mais de 400 milhões de euros até 2020.

O novo plano de negócios da instituição prevê ainda o fecho de 180 agências em quatro anos e a saída de cerca de 2.200 trabalhadores, sobretudo através de pré-reformas, uma redução de custos operacionais que deverá chegar a 150 milhões de euros até 2020.

No que diz respeito ao crédito, só para limpar a carteira, a CGD vai registar imparidades de cerca de dois mil milhões. “Não é só o crédito malparado que vai obrigar a Caixa a registar imparidades avultadas. A limpeza do balanço do banco do Estado será mais alargada, incluindo o reconhecimento de perdas na carteira de imóveis”, escreve o jornal.

A Caixa pretende ainda aumentar a presença internacional. O plano de negócios prevê a venda das operações em Espanha, na África do Sul e no Brasil, conforme é noticiado esta quarta-feira. Além disso, as sucursais de Londres e de Nova Iorque deverão ser encerradas.

Em fase de transição, o banco do Estado tem feito correr tinta nos jornais. Ontem, o Tribunal de Contas apontou falhas ao controlo da instituição pela tutela do ministério das Finanças, entre 2013 e 2015. Em auditoria, o organismo frisa que houve “falta de transparência” na fiscalização acionista.

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