“Estabilidade financeira requer atuação concertada”, diz Centeno

Da parte da famílias “requer uma atitude de responsabilidade das suas decisões de consumo e poupança” e ainda “no momento do recurso ao crédito”; das empresas “requer-se uma posição robusta na sua exposição à dívida”, disse Centeno lembrando que um determinado grau de alavancagem é natural, mas “deve ser sustentável”. E das administrações públicas “requer-se também uma posição financeira sólida”, apelou o Governador do BdP.

Cristina Bernardo

O Governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, na sua introdução à apresentação do Relatório de Estabilidade Financeira (REF) de dezembro de 2020, salientou que “a estabilidade financeira é um objetivo global, coletivo e que requer uma atuação concertada”.

Da parte da famílias “requer uma atitude de responsabilidade das suas decisões de consumo e poupança” e ainda “no momento do recurso ao crédito”.

A dívida dos particulares caiu 35 pontos percentuais do rendimento disponível desde 2009, disse Centeno.

Das empresas “requer-se uma posição robusta na sua exposição à dívida”, disse o Governador lembrando que um determinado grau de alavancagem é natural, mas “deve ser sustentável”.

“Os indicadores de poupança, de capital e endividamento das nossas empresas melhoraram desde a crise anterior”, salientou o Governador que revelou o indicador da dívida financeira “que caiu 34 pontos percentuais desde 2012”.

“Das administrações públicas requer-se também uma posição financeira sólida, depois de décadas de défices, no passado recente atingiram-se excedentes do saldo primário [sem os  juros da dívida] superiores a 3%”, disse o Governador que é o ex-Ministro das Finanças.

Centeno reconheceu que o sistema bancário acompanhou o esforço de desalavancagem da economia portuguesa, citando a redução do rácio de transformação de depósitos em crédito que “caiu 66 pontos percentuais desde 2008” e “um aumento do rácio de fundos próprios totais que subiu de 9,4% em 2008 para 16,9% em 2019”.

Os empréstimos em incumprimento nos balanços do bancos portugueses, reduziram-se desde 2016, em mais de 30 mil milhões de euros, adiantou.

“O sistema bancário deve continuar esse esforço e deve-se fazer neste momento um esforço de preservação de capital”, para estar preparado para continuar a fazer parte da solução. “Essa é uma responsabilidade quase cívica que recai sobre os seus dirigentes, como decisores económicos que são da maior importância”, disse Centeno sobre os banqueiros.

“Ninguém compreenderia que colocassem em riscos as instituições que dirigem”, disse ainda.

Todos os indicadores demonstram como os diferentes setores contribuíram para enfrentar esta primeira vaga da crise pandémicas, “aquela em que a capacidade de resistir e a resiliência foram postas à prova”, reconheceu Centeno.

“Com a ajuda das políticas económicas nacionais, europeias e mesmo globais foram dadas respostas a estes desafios. Mas hoje o REF identifica as vulnerabilidades, os riscos e os seus mitigantes”, disse o Governador.

“Na semana passada Portugal pode observar o seu valor de sucesso recente”, disse Centeno referindo-se aos juros soberanos negativos no mercado secundário.

“Taxas negativas de mais de 65% da dívida portuguesa e a taxa da OT a um ano chegou a ser a mais negativa de todas as OT europeias, quando caiu para -85 pontos base”, isto, salienta, “traduz-se no custo de financiamento de todos” e “é resultado da credibilidade conquistada”, disse o também ex-ministro das Finanças.

“No seio da maior crise económica, que sendo temporária, se poderia tornar numa crise social e financeira, o país deve permanecer focado na resposta à crise, que requer a manutenção e a adaptação das políticas económicas até ao fim da crise”, disse Centeno que lembrou a decisão da semana passada do Conselho de Governadores do BCE que “é um bom exemplo do que se deverá seguir”.

“Estamos certos que outras decisões no mesmo sentido serão tomadas. O relatório que hoje apresentamos foca nessas dimensões e é o contributo relevante do Banco de Portugal”, concluiu.

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