Estado dominador na economia francesa

O ambiente político tem sido marcado pelo papel dominador do Estado em direcionar o desenvolvimento económico. A matriz mantém-se, como contra-ponto ao neo-liberalismo anglo-saxónico. “O ambiente político continuará a ser marcado por um maior intervencionismo estatal comparativamente a muitos outros países europeus, nomeadamente através da promoção de campeões nacionais.” A conclusão é do Departamento de […]


Notice: Undefined offset: 1 in /var/www/vhosts/jornaleconomico.pt/httpdocs/wp-includes/media.php on line 1031

Notice: Undefined offset: 2 in /var/www/vhosts/jornaleconomico.pt/httpdocs/wp-includes/media.php on line 1031

Notice: Undefined offset: 1 in /var/www/vhosts/jornaleconomico.pt/httpdocs/wp-includes/media.php on line 1031

Notice: Undefined offset: 2 in /var/www/vhosts/jornaleconomico.pt/httpdocs/wp-includes/media.php on line 1031

O ambiente político tem sido marcado pelo papel dominador do Estado em direcionar o desenvolvimento económico. A matriz mantém-se, como contra-ponto ao neo-liberalismo anglo-saxónico.

O ambiente político continuará a ser marcado por um maior intervencionismo estatal comparativamente a muitos outros países europeus, nomeadamente através da promoção de campeões nacionais.” A conclusão é do Departamento de Estudos do Montepio, que a fundamenta na determinação da França de seguir o seu próprio modelo, distinto do anglo-saxónico de orientação neoliberal.

A crise financeira “reacendeu” a matriz francesa, como que garantindo a continuidade entre o passado “marcado pelo papel de destaque do Estado em direccionar o desenvolvimento económico” e o futuro. Ou seja, o papel orientador do Estado é (e deverá continuar a ser) forte, apesar da redução do seu peso direto na economia.

Esta redução começou no final da década de 80 e foi levada a cabo alternadamente pela direita e pelos socialistas, através de um programa sustentado de privatizações. O alvo foram praticamente todos os setores da economia, com preponderância, nos primeiros anos, para as empresas financeiras. O Paribas esteve na linhada frente. Privatizado em 1987 e fusionado logo a seguir com o BNP, deu origem ao maior banco gaulês, o BNP Paribas. Foi seguido da Société Générale.

Os anos 90 trouxeram a abertura dos seguros ao capital privado. Em 1994, foi a Union des Assurances de Paris, depois as Assurances Générales de França e, a seguir, a CNP Assurances. Na banca, de referir ainda a alienação do Crédit Local de France, que, anos mais tarde, deu origem ao franco-belga Dexia e o Crédit Lyonnais.

Atualmente, o Estado conserva uma presença estratégica em empresas como Air France, France Telecom, Renault, EADS e Thales Group, só para citar alguns exemplos. “Agora há apenas um punhado de empresas em que o Estado detém participações maioritárias”, lembra o Departamento de Estudos do Montepio.

E acrescenta: “As restantes participações de propriedade do Estado podem ser reduzidas ainda mais, a fim de aumentar a receita para os cofres públicos, mas os governos, quer sejam de esquerda, quer sejam de direita, deverão provavelmente procurar manter as participações em empresas chave e “estratégicas”, de modo a proteger o “interesse nacional”.

De certa forma, o antecessor de Manuel Valls no Matignon, Pierre Moscovici, deixou isso claro ao dizer que a França não estava de “retorno às privatizações”, mas sim a “fazer a gestão fina do capital do Estado”.

Isto é, com menos, fazer ainda muito.

Por Almerinda Romeira/OJE

 

O OJE está a publicar semanalmente um Especial sobre França.Este texto integra a 4ª edição.

Outras edições:

Nº. 1 – Comércio, investimento, Troféus da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Francesa

Nº. 2 Relações históricas e língua e entrevista a Francis Maizieres, Delegado Geral da Alliance Française em Portugal

Nº. 3 Investimento nos serviços. Entrevista a Jean-Marc Pasquet, CEO do grupo BNP Paribas em Portugal

Recomendadas

Desflorestação na Amazónia cai pela primeira vez no Governo de Bolsonaro

A Amazónia brasileira perdeu 11.568 km2 de cobertura vegetal entre agosto de 2021 e julho de 2022, menos 11,3% que a devastada no ano anterior. É a primeira redução do desmatamento desde que Jair Bolsonaro chegou ao poder.

Israel: Netanyahu garante que vai manter a controlo sobre a extrema-direita

Primeiro-ministro designado insiste que os radicais com que formará governo não vão tomar o poder nas suas mãos. “Israel não será governado pelo Talmud”. A incógnita é o que acontecerá com o seu julgamento por corrupção.

Parlamento alemão define como genocídio a “grande fome” na Ucrânia

O parlamento alemão aprovou uma resolução que define de genocídio o ‘Holodomor´’, a “grande fome” que atingiu a Ucrânia em 1932-1933 e que terá vitimado mais de três milhões de ucranianos.