Estados Unidos antecipam possível fracasso diplomático com o Irão

O presidente dos Estados Unidos pediu à sua equipa para estar preparada caso aconteça um fracasso diplomático sobre o acordo nuclear do Irão, nas negociações que decorrem em Viena, capital da Áustria.

A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, revelou, na conferência de imprensa diária, que o presidente Joe Biden pediu que a sua equipa “se prepare” caso a “diplomacia fracasse” nas negociações retomadas em Viena.

“Isso requer preparativos”, destacou Psaki referindo-se a “sanções adicionais” contra as fontes de rendimento de Teerão, noticia a agência AFP.

“Propusemos um caminho diplomático, esse caminho continua em aberto”, acrescentou a responsável da Casa Branca, alertando, no entanto, que a administração Biden está a preparar-se “para seguir um caminho completamente diferente” se necessário.

O Irão retomou esta quinta-feira, em Viena, as negociações sobre o seu programa nuclear, num espírito descrito como renovado, depois do pessimismo manifestado por diplomatas europeus na semana passada, devido a novas exigências de Teerão.

Firmado em 2015 também em Viena entre Teerão, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e China) e a Alemanha, o acordo internacional incidia em limitar e ter uma maior vigilância do programa nuclear iraniano (através de um controlo rigoroso por parte da ONU), em troca do levantamento das sanções internacionais.

O principal obstáculo continua a ser como e quando levantar as sanções que os Estados Unidos reimpuseram ao Irão quando o anterior presidente, Donald Trump, abandonou o JCPOA em 2018. Na altura, os restantes países signatários do acordo não alinharam com Washington e tentaram manter a economia iraniana acima da linha de água. Mas, com o passar do tempo, isso revelou-se praticamente impossível, uma vez que as sanções decretadas pela Casa Branca eram extensíveis às empresas internacionais que mantivessem negócios em território iraniano. A petrolífera francesa Total foi das primeiras a escolher sair do país do Médio oriente, em detrimento da possibilidade de deixar de poder negociar com os Estados Unidos.

Em 2019, Teerão começou a acelerar o seu programa nuclear ao ponto de alguns peritos acreditarem que está apenas a um mês de ter material nuclear suficiente para uma arma atómica.

O Irão endureceu a sua posição e exige que todas as sanções sejam imediatamente levantadas, mesmo as que não se relacionam com o seu programa atómico, mas com outras questões, como o desenvolvimento de mísseis balísticos ou a sua interferência em conflitos regionais.

Também esta quinta-feira, os Estados Unidos e Israel avaliaram exercícios militares conjuntos para conter as ambições nucleares de Teerão, ao mesmo tempo que as difíceis negociações sobre o programa nuclear iraniano eram retomadas em Viena.

“Estou profundamente preocupado com as ações do Governo iraniano no capítulo nuclear nos últimos meses, pelas suas provocações constantes e a sua falta de envolvimento diplomático”, salientou o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin.

O responsável, que falava durante as boas-vindas no Pentágono ao seu homólogo israelita, Benny Gantz, salientou que Joe Biden deixou claro que, caso a política falhe, estarão preparados para “encontrar outras opções”.

Sem especificar as opções consideradas, Lloyd Austin referiu-se a um recente exercício conjunto dos Estados Unidos, Israel, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, realizado no Mar Vermelho.

“Continuaremos a desenvolver essa arquitetura de segurança regional, através da cooperação militar, treino e exercícios conjuntos”, adiantou.

Benny Gantz indicou que viajou até aos Estados Unidos para “aprofundar o diálogo e a cooperação” sobre o Irão, incluindo uma preparação militar conjunta para conter Teerão, as suas ofensivas na região e as suas aspirações nucleares.

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