Estados Unidos: Democratas perdem um lugar no Senado

A democrata Kyrtsen Sinema, representante do Arizona desde 2018, anunciou que vai inscrever-se como senadora independente, fazendo o partido por que foi eleita regressar à marca dos 50 lugares. Os republicanos continuam com 49.

A semana estava a correr bem para Joe Biden: a segunda volta das eleições na Geórgia foram ganhas pelo democrata Raphael Warnoc, que conseguiu ser reeleito, e o presidente confiava que o Senado ficaria assim nas mãos dos democratas de forma ainda mais óbvia que até 8 de novembro, dia das intercalares norte-americanas. Com a Geórgia, os democratas passaram a ter 51 lugares no Senado e os republicanos 49 (eram 50-50 até às eleições).

Mas, afinal, não é isso que vai acontecer: a senadora do Arizona Kyrsten Sinema anunciou que vai deixar o Partido Democrata, pelo qual foi eleita, e que vai registar-se como independente, fazendo o seu ex-partido voltar à casa dos 50 lugares.

A ‘rebelde’ disse, num artigo publicado no “The Arizona Republic”, que “como muitos sabem, nunca encaixei perfeitamente em nenhum dos partidos nacionais. Tornar-me independente não mudará o meu trabalho no Senado e o meu serviço ao Arizona continua o mesmo”. “Alguns membros do partido acreditam que são os donos da cadeira no Senado. Não é assim. Esta cadeira no Senado não pertence aos chefes democratas ou republicanos de Washington. Não pertence a um partido ou outro, e não me pertence a mim. Pertence ao Arizona, que é um lugar muito especial para ser definido por partidários e ideólogos extremistas”, escreve. A teoria é duvidosa, mas serve bem os propósitos da senadora.

Verdade ou não, o certo é que a desistência envolve sempre uma derrota para o partido visado – e estes casos são inúmeros – que passa a imagem de não ter escolhido bem o candidato apresentado ao Estado em questão.

A Casa Branca tentou minimizas a decisão: a porta-voz, Karine Jean-Pierre lembrou que a senadora esteve sempre ao lado dos democratas e, em princípio, assim vai continuar. “Entendemos que a decisão de se registar como independente no Arizona não altera o controlo da nova maioria democrata no Senado, e temos todos os motivos para esperar que continuemos a trabalhar com sucesso com Sinema”.

Fica por saber-se se a deputada do Arizona teria feito o mesmo se os democratas tivessem perdido na Geórgia. Se isso tivesse acontecido e Kyrsten Sinema tivesse desistido à mesma, os democratas passariam a uma situação minoritária no Senado.

Mas Joe Biden não se esqueceu que passou bem perto desse cenário e a Casa Branca destacou que agora é tempo de os democratas unirem esforços em torno das políticas que importam para o país e que, no limite, vão determinar as presidenciais de 2024.

Mas o presidente sabe que está a calcar terreno movediço. É que para além de Kyrsten Sinema há nas fileiras dos senadores democratas mais um potencial demissionário: Joe Manchin, senador pelo Oeste Virgínia – que não tem sido um ‘companheirão’ para o partido.

Recorde-se que o Partido Democrata já tem dois outros senadores registados como independentes: Bernie Sanders, de Vermont e principal adversário de Biden nas primárias de 2019, e Angus King, do Maine – mas nenhum dos dois alguma vez rompeu a coesão do grupo.

Sinema foi eleita senadora pela primeira vez em 2018, estando por isso segura até às eleições de 2024. E nem sempre esteve ao lado dos democratas.

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