Estados Unidos e Rússia baixam (muito) ligeiramente tensão por causa da Ucrânia

As posições mantêm-se irredutíveis dos dois lados do conflito, mas os analistas consideram que, enquanto se mantiver aberta a porta do diálogo, permanece uma réstia de esperança.

Ucrânia

Num ambiente de grande crispação e com um histórico recente de fortes desentendimentos, qualquer motivo que sirva para não aumento o confronto entre a Rússia e os Estados Unidos parece, face às muito baixas expectativas, uma grande vitória diplomática – mas é possível que, nas negociações entre os dois países esta sexta-feira em Genebra, Suíça, qualquer coisa de positivo tenha sucedido.

Desde logo, o tom dos intervenientes, que parecem ter apostado em manter uma postura cordata, ao contrário do que sucedeu na passada semana – em que os intervenientes nos encontros em Genebra, Bruxelas (com a NATO) e Viena (com a OSCE) pareciam imensamente enfadados com a presença dos seus oponentes.

O secretário de Estado norte-americano Antony Blinken e o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia Sergey Lavrov mostraram-se bem-dispostos, o que parecia ser um bom indicador. Blinken disse que as conversas de sexta-feira com Lavrov colocaram Washington e Moscovo “num caminho mais claro para entender as posições um do outro”, depois de um encontro que durou cerca de 90 minutos. Citado por vários jornais, Blinken disse que a conversa “franca e substantiva”.

Mas na substância nada parece ter mudado. “A Rússia pode escolher o caminho da diplomacia que pode levar à paz e à segurança, ou o caminho que levará apenas ao conflito, consequências graves e condenação internacional”, disse.

“Fomos claros – se alguma força militar russa atravessar a fronteira da Ucrânia, isso é considerado uma invasão. Será recebido com uma resposta rápida, severa e unida dos Estados Unidos e dos nossos parceiros e aliados”, acrescentou Blinken.

Por sua vez, Lavrov – político muito influente em Moscovo – descreveu a reunião com Blinken como aberta e útil, mas disse que o Kremlin não tem a certeza se as negociações estão no caminho certo até receber uma resposta por escrito às suas propostas enviadas aos Estados Unidos. Lavrov disse que as preocupações da Rússia são reais, “não são sobre ameaças inventadas”.

Para os analistas, o facto de este encontro de alto nível ter acontecido e num tempo tão curto em relação à primeira ronda, são dois fatores positivos. Mas o certo é que, logo a seguir ao encontro, não aconteceu aquele que podia ser o primeiro sinal de verdadeiro desanuviamento: uma conferência de imprensa conjunta. Blinken e Lavrov surgiram perante os jornalistas presentes, mas separadamente, o que foi considerado uma primeira derrota.

O mundo fica agora pendente de novos encontros, uma vez que, enquanto os dois lados mantiverem o diálogo, isso quer dizer que nada de irreparável aconteceu – como chamou há dias a atenção o novo presidente da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), o ministro dos Negócios Estrangeiros polaco Zbigniew Rau.

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