Estados Unidos investigam acionista chinês da TAP

O desconhecimento ao pormenor do alcance do conglomerado está a preocupar os Estados Unidos, que colocaram já em marcha uma investigação ao grupo.

O grupo chinês HNA, que detém 2,52% do capital da TAP, tem estado nas bocas do mundo, mas a sua atividade empresarial continua envolvida em mistério. O desconhecimento ao pormenor do alcance do conglomerado está a preocupar os Estados Unidos, que colocaram já em marcha uma investigação ao grupo, avança a agência Bloomberg.

A investigação acontece numa altura em que o HNA está a tentar entrar no capital da SkyBridge Capital, a empresa de fundos especulativos criada por Anthony Scaramucci, que chegou a diretor de comunicação do presidente norte-americano, Donald Trump, ainda que durante pouco tempo. Os norte-americanos estão preocupados tendo em conta que o grupo HNA está a ser processado por ter alegadamente contribuído para a falência de uma empresa de viagens.

A isso acresce que a denúncia de uma empresa de tecnologia que dá conta de que o HNA terá fornecido informações falsas e inconsistentes ao Comité de Investimento dos Estados Unidos. A empresa defende que tal terá levado ao início do colapso da empresa. O HNA desmente.

Também na Alemanha, o grupo está a ser investigado para se averiguar se a entrada no capital do Deutsche Bank foi feita de acordo com a legislação em vigor. Esta investigação pode ainda estender-se ao Banco Central Europeu (BCE), que quer confirmar a veracidade das informações prestadas, na sequência do anúncio feito pelos reguladores suíços de que o grupo chinês havia fornecido dados incorretos em relação às suas participações a nível mundial.

O grupo HNA tornou-se recentemente acionista de gigantes empresariais como o Deutsche Bank e o Hilton Worldwide Holdings. Desde o início de 2016, o HNA fechou mais de 40 mil milhões de dólares (33 mil milhões de euros) em aquisições em seis continentes e gastou milhões de dólares na compra de dívida. Em Portugal, a empresa é acionista da TAP, através do consórcio Atlantic Gateway e da companhia brasileira Azul.

Relacionadas

Acionista chinês da TAP coloca à venda mais de 33 mil milhões em ativos

O grupo, com interesses na TAP, está sob a mira dos reguladores chineses e prepara-se para desinvestir em vários negócios adquiridos nos últimos anos.

Governo pressiona TAP para manter acordos de empresa e evitar greves

António Costa encarregou o ministro Pedro Marques de acompanhar o processo de crescente tensão laboral entre a TAP e os sindicatos, após a equipa de Fernando Pinto ter denunciado um acordo de empresa.

Sindicato dos tripulantes promete oposição à TAP a partir de janeiro

O sindicato dos tripulantes vai fazer uma contraproposta à empresa liderada por Fernando Pinto. A greve é outra alternativa.
Recomendadas

Fitch melhora perspetiva do rating do BCP

A mudança de perspectiva para o rating do BCP reflete, em parte, uma maior clareza em torno do provisionamento necessário para cobrir os riscos legais do Bank Millennium com empréstimos hipotecários denominados em francos suíços, na Polónia.

Apenas 18,5% das empresas em Portugal pagam a fornecedores dentro do prazo

Em Espanha, o principal parceiro comercial de Portugal, 44,4% das empresas cumprem estes prazos.

Portugal corre risco de “desvantagem competitiva” na Europa sem investimento público no 5G, alerta CEO da Ericsson

Andrés Vicente, CEO da Ericsson Iberia, analisou as verbas destinadas ao investimento no 5G (que constam nos Planos de Recuperação e Resiliência) e considera que Portugal corre o risco de partir atrás na transição digital europeia. “Tal não será suficiente para aproveitar todo o potencial do 5G e pode abrir uma desvantagem competitiva com outros países”, disse ao JE.
Comentários