Estados Unidos: Senado bloqueia proposta de pagamentos de dois mil dólares

De forma a não assumir a responsabilidade política pela não aprovação da medida exigida por Trump e proposta pelos democratas da Câmara dos Representantes, o senador Mitch McConnell e a maioria republicana no Senado bloquearam a votação para, posteriormente, a ligarem à luta do presidente cessante contra as redes sociais e às suas alegações de fraude eleitoral, matando esta proposta à nascença.

O líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, recusou levar a votação da proposta de lei que havia sido enviada pela Câmara dos Representantes para aumentar os pagamentos diretos incluídos no pacote de apoio à economia, como pediu Donald Trump.

A câmara alta norte-americana bloqueou a proposta democrata que o líder minoritário do Senado, Chuck Schumer, queria ver aprovada. Posteriormente, Mitch McConnell apresentou uma proposta de lei que permite este aumento, mas cuja aprovação fica dependente da revogação do estatuto que limita a responsabilidade judicial das redes sociais pelo conteúdo que nelas é publicado e da criação de uma comissão de acompanhamento dos processos eleitorais.

Ambas as condições colocadas estão relacionadas com posições manifestadas por Trump, que fez do combate à impunidade das redes sociais uma das prioridades do seu mandato e, noutro assunto não relacionado, continua a não reconhecer a derrota nas eleições de dia 3 de novembro.

Depois da ameaça de paralisação parcial do Governo federal por parte de Trump, em sequência da proposta de financiamento que inclui um pacote de 900 mil milhões de dólares (732,36 mil milhões de euros) de apoio à economia norte-americana, a Câmara dos Representantes deu seguimento a uma das exigências do presidente e aprovou uma emenda que conferiria ao povo americano mais 1.400 dólares (1.139,15 euros). Estes acresceriam aos 600 dólares (488,37 euros) já aprovados, o que perfaz os 2.000 dólares (1.627,90 euros) que Trump pediu.

A proposta republicana permite ao partido não assumir a responsabilidade por bloquear pagamentos mais benéficos para os americanos, um aspeto chave numa altura em que se aproxima uma eleição decisiva, ao mesmo tempo que a condena à partida, visto que a Câmara dos Representantes, de maioria democrata, não passará a legislação.

O Partido Republicano fica, no entanto, beliscado pelos acontecimentos, que expuseram tensões e divisões internas exacerbadas pela postura de Trump nos últimos dias. O presidente usou da sua conta pessoal de Twitter para classificar os líderes do seu partido como “patéticos”, argumentando que uma recusa em apoiar a sua sugestão é um suicídio político.

Os democratas têm, ainda assim, uns trunfos para jogar. O veto presidencial à lei de defesa nacional, que arrisca colocar o país numa paralisação parcial, tem de ser anulado pelo Congresso, razão pela qual o Senado retomou os trabalhos esta semana, depois da aprovação na Câmara dos Representantes da mesma lei com uma maioria suficientemente grande para se sobrepor a qualquer veto.

De forma a pressionar os senadores republicanos e McConnell a submeter a votação a proposta de lei democrata para cheques mais avultados, apelidada de Lei CASH, os senadores democratas, encabeçados por Bernie Sanders, recusaram-se a votar a possibilidade de anulamento do veto à lei de defesa. Sanders fez saber várias vezes que só votará tal legislação caso McConnell submeta a votos a Lei CASH.

Dois senadores republicanos que apoiam a sugestão de Trump são Kelly Loeffler e David Perdue, que competem na segunda volta das eleições para o órgão no Senado no próximo dia 5 de janeiro. Caso os democratas arrecadem ambos os lugares, o que parece ser um cenário plausível segundo a média de sondagens feita pela FiveThirtyEight, o Senado vira para o partido azul, o que daria via aberta a Joe Biden para implementar a agenda do partido que passaria a controlar ambas as câmaras do Congresso e a Casa Branca.

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