“Estamos cá até 2028 e vejo-nos a ficar além disso”, diz CEO da Web Summit

Paddy Cosgrave faz um balanço a meio de uma edição “absolutamente esticada até ao limite”. A Web Summit bate novos recordes esta quinta-feira e entre elogios à capital portuguesa, fica a intenção de renovar a estadia além de 2028.

Cristina Bernardo

O fundador e CEO da Web Summit, Paddy Cosgrave, garante que a intenção da conferência é ficar em Lisboa além de 2028. Num balanço feito aos jornalistas esta quinta-feira, o irlandês ressalvou o fascínio pela cidade portuguesa e reconheceu que o crescimento do evento já se sente no recinto, que está “esticado até ao limite”, pelo segundo dia consecutivo.

“Vamos cá ficar até 2028 e vejo-nos a ficar além disso”, diz. A próxima edição já está a ser preparada, adianta, e terá em conta os limites que “já se sentem” na edição deste ano.

“Temos uma edição esticada até ao limite. Estamos a usar todo o espaço disponível na área”, continuou Cosgrave. Ontem, a Web Summit registou mais de 71 mil pessoas dentro do recinto, um número que bate todos os recordes de anos anteriores e que, sobretudo, se nota. As intensas filas de espera esta quinta-feira obrigam muitos dos participantes a esperarem longos períodos de tempo para entrar e a chuva não ajuda aos ânimos, mas o responsável garante que o espírito permanece. “As multidões são incríveis”, repete, mas reconhece preocupações para os seis anos que a Web Summit ainda tem pela frente, pelo menos em Lisboa.

“Certamente existem e temos essas preocupações quanto ao futuro”, diz, lembrando que há pouco tempo a preocupação era outra. “Nunca imaginaria, há 18 meses, quando estávamos em plena pandemia, que chegaríamos a este ponto. Chegou a existir a possibilidade distinta e real da Web Summit simplesmente desaparecer”, salienta.

“Não esperávamos, em qualquer momento de 2021 que a Web Summit regressaria ao que estamos a ver hoje, que implicou a construção de inúmeras estruturas temporárias para conseguir acomodar toda a gente. Nunca tivemos tantas startups, exibições, investidores tier 1 — o dobro, comparando a 2019 —, e eu tenho que dar um enorme reconhecimento às forças de segurança portuguesas. É de notar o enorme trabalho que foi feito para permitir que algumas figuras importantes venham e fiquem cá durante um determinado número de dias. É incrivelmente complexo o que tem sido feito para garantir o acesso e a segurança dentro do recinto.”

Sobre aquilo que considera um sucesso, Cosgrave diz-se “incrivelmente grato” e reforça os elogios já estendidos à cidade. “Lisboa é um boom para a tecnologia”, considera, mas nem sempre foi esse o caso. “A forma como Lisboa é vista não podia ter mudado mais. Passou de uma cidade fora do radar para o absoluto centro da tecnologia e é a cidade mais procurada no mundo para os trabalhadores digitais, remotos, nómadas, etc”, sublinha.

“Adoraria dizer que a Web Summit fez Lisboa. Mas foi Lisboa que fez a Web Summit. Já estava tudo cá”, diz Paddy Cosgrave, que admite “estar a surfar a onda lisboeta desde 2016”.

Já sobre o futuro da empresa, o irlandês diz que os planos de expansão estão em curso com a organização de eventos em África, Médio Oriente, Hong Kong e Rio de Janeiro. Pequim está na mesa, mas nada definido.

Controvérsias são uma questão de gosto e vistos gold são um não-assunto

Questionado sobre as polémicas de edições anteriores, nomeadamente a uma troca de acusações entre as diplomacias chinesas e norte-americanas, o responsável pelo evento reconhece que foi “cedido algum espaço”, quando a Web Summit recebeu o Chief Technology Officer (CTO) da Casa Branca. Na altura, as declarações valeram a refuta do governo chinês. “Há informações falsas, vivemos num mundo complexo. Temos mais de mil oradores na Web Summit e naturalmente nem todos serão o preferido de toda a gente. É como o Spotify, há muito música má e ofensiva no Spotify. Não oiçam se não gostam”, avisa.

Já sobre os vistos gold, e as recentes notícias de que o Governo está a considerar encerrar o programa, Paddy Cosgrave diz que nada sabe, nem nada diz. “Filosoficamente, a minha visão é a mesma do presidente francês, Emmanuel Macron, que articula as suas ideias sob o princípio da não-interferência. Sou um cidadão e contribuinte irlandês e estarei mal informado de tudo o que for de outros países. Por isso, não tenho uma opinião [sobre os vistos gold]”.

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