Estudo da AON revela que apenas um terço dos gestores está preparado para enfrentar recessão

Uma grande maioria (79%) dos líderes inquiridos espera uma recessão este ano, no entanto, apenas 35% afirma sentir-se muito preparado para essa recessão.

A Aon realizou um estudo com base num inquérito a gestores, e concluiu que apenas um terço dos gestores diz estar preparado para enfrentar um cenário de recessão que tem vindo a ser vaticinado por vários economistas.

O inquérito é global, foi realizado em setembro de 2022 e abrangendo diversas indústrias, nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e nas maiores economias Europeias e baseia-se na pesquisa de 2020″Are You Prepared for the Next Big Threat?” e no estudo de 2021 A New Approach to Volatility: The Importance of Making Better Decisions.”

Para este estudo a Aon realizou 815 entrevistas com gestores C-suite e outros Executivos em empresas com mais de 500 colaboradores para responder a questões sobre a tomada de decisões, tais como: Quais são as características que distinguem os líderes bem preparados para enfrentar decisões em contexto de recessão? ou “Como se preparam para tomar melhores decisões para posicionar as suas empresas para o crescimento neste momento crucial?”.

A multinacional britânica com sede em Londres, especialista em gestão de riscos, corretagem de seguros e resseguros, anunciou em comunicado os resultados do seu estudo “Tomar Melhores Decisões em Tempos de Incerteza”.

O estudo mostra claramente que os líderes que estão a tomar melhores decisões sobre os riscos estão mais bem preparados para reagir e ter sucesso em tempos altamente voláteis e de incerteza económica.

Uma grande maioria (79%) dos líderes inquiridos espera uma recessão este ano, no entanto, apenas 35% afirma sentir-se muito preparado para essa recessão.

Destaque também para o facto de apesar da deterioração das condições económicas, os líderes condicionarem a sua perceção do futuro pelo seu próprio nível de sucesso e resiliência, com 66% a manterem uma visão positiva da economia e 31% a encararem-na mesmo como “excelente”.

Para 41% dos inquiridos a inflação representa um risco muito elevado para os seus negócios, seguido ex-aequo pelo conflito na Ucrânia e as quebras nas cadeias de Produção, com 36% e em 4º lugar os efeitos da Covid-19, com 31%.

“Líderes fortes e preparados são essenciais para proteger a resiliência de uma organização e encontrar oportunidades de crescimento face a uma volatilidade elevada”, refere Carlos Robalo Freire, CEO da Aon Portugal.

“O relatório deste ano revela que os líderes que estão melhor preparados para enfrentar os desafios económicos abraçam a gestão de riscos calculada como motor de crescimento.”

O comunicado da resseguradora e empresa líder mundial de serviços profissionais com soluções de Risco, Reforma e Saúde, diz que “os líderes empresariais que estão melhor preparados para uma recessão, pela sua visão de longo prazo sobre risco e crescimento partilham quatro atitudes fundamentais”. A primeira passa por aceitar que o risco é a única opção. Há 62% que concordam que a abertura da sua empresa para lidar com o risco aumentou em resposta às atuais condições macroeconómicas. “Para as empresas que se sentem melhor preparadas para enfrentar a recessão, abordar o risco não é uma escolha — é uma questão de sobrevivência”, revela a Aon.

“A análise e o aconselhamento das equipas internas e entidades externas são vitais para tomar melhores decisões. Líderes melhor preparados são quase duas vezes mais propensos a dizer que valorizam a opinião de um conselheiro externo para melhorar a capacidade da sua empresa de tomar boas decisões e lidar com o risco. Os líderes confiantes também resistem à vontade de abrandar a contratação, apesar das condições económicas desafiantes”, refere a Aon. De facto, “42% dos líderes melhor preparados estão a ocupar muito tempo a estudar a forma de atrair e reter talentos, em comparação com apenas 22% dos outros líderes”.

A pandemia demonstrou que os riscos estão interligados, revela o estudo, que conclui que “61% dos líderes melhor preparados concordam que os riscos estão interligados, baseando-se nas suas experiências durante a pandemia Covid-19”.

Uma larga maioria (73%) acredita fortemente que a pandemia os preparou para responder rapidamente aos riscos emergentes, dando-lhes mais confiança à medida que se caminha para uma recessão, revela a Aon.

A quarta atitude apontada consiste em “não abrandar o investimento a longo prazo, nem ignorar os riscos de long-tail”.

A Aon diz que os cinco principais riscos em que todos os líderes dizem estar mais focados são a inflação, crise financeira, fornecimento de energia, ciberataques e perturbações na cadeia de abastecimento.

Além de abordar estes riscos, os líderes estão igualmente a olhar para o futuro e a investir mais tempo relativo do que outros líderes em desafios a longo prazo como desigualdades económicas/sociais, tecnologias disruptivas, cripto e blockchain.

Da mesma forma, cerca de metade (49 %) dos líderes estão a despender muito tempo em alterações climáticas, em comparação com apenas 26% dos outros líderes. “O risco climático não é uma probabilidade, é uma certeza e a instabilidade climática está a tornar-se cada vez mais uma parte do dia-a-dia”, acrescentou Carlos Robalo Freire, CEO da Aon Portugal.

“O que este estudo nos mostra é que, embora as alterações climáticas sejam um dos nossos maiores desafios, também pode ser uma das nossas maiores oportunidades”, refere o CEO da Aon em Portugal que acrescenta que “é o exemplo final da interconectividade do risco. Mais empresas estão a olhar para os desafios causados pelas alterações climáticas para além da conformidade regulamentar e da gestão da reputação e estão a investigar os riscos relacionados onde o impacto é imediato e mensurável – interrupção de negócios, escassez de materiais, problemas na cadeia de abastecimento e danos na reputação e verificamos que os líderes que estão a investir mais tempo e recursos nestes desafios estão melhor preparados”.

 

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