Estudo da DECO conclui que Covid-19 continuará a ter impacto negativo nos transportes públicos e viagens internacionais

O estudo conclui que a pandemia afeta a sensação de segurança das pessoas – em termos de risco de contaminação – principalmente quando se trata de formas de mobilidade em que as pessoas estão próximas umas das outras.

Cristina Bernardo

A pandemia de Covid-19 continuará a ter impacto negativo nos transportes públicos e nas viagens internacionais, conclui um estudo realizado pela DECO PROTESTE e por outras 10 organizações europeias, em outubro de 2020.

Esse mesmo estudo revela que os consumidores vão continuar a preferir formas individuais de transporte e mais viagens locais como efeito direto da pandemia.

“O surto de Covid-19 trouxe perturbações sem precedentes na vida diária das pessoas, uma das quais diz respeito à forma como nos deslocamos no dia-a-dia. Para analisar os efeitos da pandemia na mobilidade, 11 organizações de consumidores europeias, entre as quais a DECO PROTESTE, realizaram um estudo, com 11.273 inquiridos, que evidencia o decréscimo da escolha de transportes públicos, a sensação de insegurança em cada transporte face ao risco de contágio, as opções preferenciais no futuro próximo e a pouca vontade de viajar para fora da Europa”, destaca um comunicado da DECO.

De acordo com este documento, as principais conclusões em 11 países europeus referem que o transporte público foi o mais afetado pela pandemia da Covid-19 e que a pandemia afeta a sensação de segurança das pessoas – em termos de risco de contaminação – principalmente quando se trata de formas de mobilidade em que as pessoas estão próximas umas das outras.

Os entrevistados sentem-se mais expostos ao risco ao usar tipos de transportes públicos.

Após a crise, as pessoas esperam usar mais a bicicleta ou o carro do que outros meios de transporte e acreditam que haverá menos probabilidade de viajar para o exterior. As pessoas esperam viajar com uma frequência maior ou menor após a crise, em comparação com os tempos pré-Covid.

O estudo da DECO aponta várias recomendações políticas. Por exemplo, “mudar os hábitos de mobilidade exige respostas políticas”.

“Não nos esqueçamos de que a Covid-19 pode ter efeitos colaterais de longo prazo. Por exemplo, se houver um aumento no uso de automóveis em toda a Europa, isso pode afetar negativamente objetivos mais amplos, como a luta contra as mudanças climáticas, impactando o sucesso das políticas até aqui definidas”, aconselha a DECO.

Segundo esse documento, “existem três pontos principais a reter a nível político que podem ser inferidos das perceções expressas neste estudo: manter o transporte público prioritário”.

“Embora as últimas notícias sinalizem otimismo sobre uma vacina, os operadores de transportes públicos devem continuar a implementar efetivamente medidas Covid para lidar com as perceções negativas que podem existir sobre o uso do transporte público (em vista do risco de contaminação). Os consumidores devem recuperar a confiança total no uso do transporte público. As autoridades também devem continuar a investir na oferta e frequência, segurança e simplicidade de utilização do transporte público para sinalizar o seu papel primordial na mobilidade, e muito em especifico na substituição do veiculo privado”, recomenda o referido comunicado.

Outra sugestão da DECO é promover caminhadas e ciclismo como alternativas ao uso do carro, sempre que possível. O estudo prevê que bicicletas e carros poderiam ser usados ​​com mais frequência após a crise da Covid-19.

“As autoridades locais são, portanto, aconselhadas a analisar as necessidades de infraestrutura de ciclismo e dar continuidade a qualquer desenvolvimento iniciado, que tenha ficado momentaneamente parado devido ao contexto atual. Em termos de uso do carro – e embora se reconheça que muitas pessoas dependem dos seus carros e têm opções limitadas ou nenhuma outra opção – as autoridades devem tomar cuidado com a mudança repentina do transporte público para os carros. Um aumento no uso individual de carros não beneficiaria os fluxos de tráfego ou as emissões de gases nefastos ao ambiente”, adianta o comunicado em questão.

O estudo consistiu num questionário ‘online’, distribuído entre consumidores dos 11 países. Foram recolhidas 11.273 respostas válidas. A amostra reflete a distribuição das populações nacionais por idade (18-74), género, nível de escolaridade e área de residência. 51% dos entrevistados viviam num ambiente urbano, 25% numa área suburbana e 24% no campo.

Segundo a DECO, este estudo levanta questões sobre o impacto da Covid-19 nas atividades diárias fora de casa, no trabalho em casa, viagens e hábitos de mobilidade e também lançou um olhar para o futuro, perguntando às pessoas como poderiam esperar que o seu comportamento evoluísse após a pandemia.

A recolha de dados ocorreu em outubro de 2020, que coincidiu com o início de uma segunda vaga de infeções na Europa.

O estudo foi liderada pelo departamento de estatística conjunto de Test Achats/Aankoop (Bélgica), Altroconsumo (Itália), DECO Proteste (Portugal) e OCU (Espanha), em cooperação com Verein für Konsumenteninformation – VKI (Áustria), dTest (Checo República), Forbrugerrådet Tænk (Dinamarca), Stiftung Warentest (Alemanha), Lietuvos vartotojų organizacijų aljansas – LVOA (Lituânia), Consumentenbond (Holanda) e Zveza Potrošnikov Slovenije – ZPS (Eslovênia).

A DECO PROTESTE é uma das principais organizações de defesa do consumidor em Portugal e faz parte do grupo internacional Euroconsumers, que congrega várias organizações de defesa do consumidor em Espanha, Bélgica, Itália e Brasil.

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