ETE quer medidas do Governo para estimular setores portuário e fluvial

Na cerimónia de comemoração do 80º aniversário, que hoje decorreu em Lisboa, Luís Nagy, CEO do grupo, exigiu medidas para tornar a atividade mais competitiva.

A ETE – Empresa de Tráfego e Estiva exigiu do Governo a tomada de medidas para estimular a atividade de operações e navegações fluviais e marítimas.

Na cerimónia da celebração dos 80 asnos do Grupo ETE, que teve hoje lugar nas instalações do porto de Lisboa, o respectivo CEO, Luís Nagy, dirigiu-se à ministra do Mar, presente no evento, e disse que “sabemos que o Ministério do Mar tem em fase final de estudo um sistema de ‘tonnage tax’ [uma taxa cobrada em função da carga transportada pelo armador] para ser implementado a curto prazo, que segundo afirmações recentes da senhora ministra se aproximará do holandês”.

“Não conhecemos detalhes, que por certo nos serão transmitidos quando a senhora ministra entender oportuno, nem conhecemos o que nesta matéria figura no Orçamento Geral do Estado para 2017, muito recentemente aprovado e ainda não publicado”, prosseguiu Luís Nagy.

O CEO da ETE adiantou, no entanto, que “estamos confiantes que o novo regime que vai ser implementado, para além do novo imposto que substituirá o IRC irá conter as indispensáveis ‘social alliviation measures’ com um caráter de estabilidade e que sejam significativamente atrativas por forma a fomentar o emprego de tripulantes nacionais, bem como o investimento dos armadores portugueses em novos navios”.

Luís Nagy sublinhou ainda que face às novas regras que irão ser impostas aos armadores que navegam no espaço europeu “no que respeita à fortíssima redução de emissão de gases poluentes (…) não será possível renovar as frotas dos armadores portugueses se as empresas não tiverem lucros ou se estes forem em parte significativa apropriados pelo fisco”.

A ETE reclama a liderança nacional no setor das operações portuárias e navegações marítimas e fluviais, não só no Continente, mas também na interligação às Regiões autónomas dos Açores e da Madeira.

‘Inaugurámos a nona década de vida do Grupo ETE com uma forte aposta na internacionalização da nossa operação, a qual tem estado a crescer e que esperamos, daqui a anos anos, represente 30-40% do nosso volume de negócios, contra os atuais cerca de 10%. Estamos especialmente focados em mercados onde podemos levar valor, explorando áreas onde detemos grande experiência e conhecimento, como é o caso da operação fluvial”, revelou Luís Nagy na ocasião.

Em resposta às dúvidas colocadas pelo CEO da ETE, Ana Paula Vitorino prometeu para breve novidades sobre o programa ‘Energia do Mar’, anunciado há cerca de duas semanas, e para o próximo dia 19 de dezembro a apresentação da estratégia para o aumento da competitividade dos portos e da indústria naval nacionais.

A ministra do Mar revelou ainda que já se iniciaram as consultas para avançar com o novo regime aplicável à marinha mercante nacional.

Confiante de que a economia do mar pode dar muito mais a Portugal, Ana Paula Vitorino estranha que esse setor só represente 3,1% do VAB – Valor Acrescentado Bruto e 3,6% do emprego nacionais.

“Costumo dizer que é muito pouca economia para tanto mar”, observou Ana Paula Vitorino.

Também presente na cerimónia de comemoração dos 80 anos da ETE, Marcelo Rebelo de Sousa destacou a “persistência, “resiliência”, “o sonho”, “o alargamento de horizontes”, “a institucionalização” e a passagem de testemunho” que os responsáveis da ETE têm dado ao longo dos anos para chegar a este ponto da vida da empresa.

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